Carlos Tavares, ex-líder do grupo Stellantis, expressou preocupações sobre o futuro da empresa, que pode enfrentar uma cisão das suas operações na França, Itália e EUA. Tavares, que deixou a liderança da Stellantis em dezembro passado, alertou que a fabricante automóvel poderá não conseguir resistir às pressões de vários stakeholders nos seus países de origem.
Num novo livro publicado recentemente em França e citado pela Bloomberg, Tavares afirmou: “Estou preocupado que o equilíbrio a três entre Itália, França e os EUA se quebre”. O grupo Stellantis, que resulta da fusão entre a italiana Fiat Chrysler e a francesa PSA Group, tem enfrentado desafios significativos desde a sua formação em 2021. Entre estes, destacam-se a quebra da procura, a concorrência chinesa e, mais recentemente, as tarifas sobre as exportações para os EUA.
O atual CEO, Antonio Filosa, que sucedeu Tavares, tem tentado estabilizar a situação. Recentemente, anunciou um investimento de 13 mil milhões de euros nos EUA, com o objetivo de aumentar a produção no país em 50%. Esta decisão gerou preocupações entre os sindicatos franceses e italianos, que temem que os interesses europeus sejam descurados em favor do mercado norte-americano.
Tavares questionou a capacidade de Filosa em defender os interesses franceses, afirmando: “Com a minha saída, não tenho a certeza de que os interesses franceses, que sempre tive em consideração, acredite ou não, serão tão bem defendidos”. Diante dos desafios que o grupo Stellantis enfrenta, Tavares sugere que uma separação das operações europeias e norte-americana poderia ser uma solução viável.
“Um cenário possível, entre muitos outros, poderia ser um fabricante chinês apresentar uma oferta pelo negócio europeu, enquanto os americanos retomariam as operações na América do Norte”, defende Tavares no seu livro. Esta possibilidade levanta questões sobre o futuro da Stellantis e a sua capacidade de se adaptar às exigências de um mercado automóvel em rápida evolução.
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Fonte: ECO





