Bruxelas desafia Pequim sobre restrições a matérias-primas

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, fez um alerta claro à China durante o Berlin Global Dialogue, realizado no último sábado. As restrições impostas por Pequim à exportação de terras raras, anunciadas a 9 de outubro, representam um risco significativo para as cadeias de abastecimento globais. Von der Leyen afirmou que a Europa está disposta a utilizar “todos os instrumentos” disponíveis para responder a esta situação.

No seu discurso, a líder europeia traçou um panorama preocupante da economia global, afirmando que a ordem cooperativa que se esperava há 25 anos está a ser substituída por uma economia de confronto. “O roubo de tecnologias, os investimentos hostis e os controlos de exportação tornaram-se armas de competição”, destacou Von der Leyen. As recentes medidas da China, que intensificaram os controlos sobre terras raras e materiais para baterias, colocam em risco a estabilidade das economias europeias.

As terras raras são essenciais para a produção de uma vasta gama de produtos, desde veículos elétricos a equipamentos militares. A China controla cerca de 60% da produção global e 90% do refino destes minerais críticos, segundo a Agência Internacional de Energia. Para a Europa, a dependência é ainda mais acentuada, com mais de 90% do consumo europeu de ímanes de terras raras a provir de importações chinesas. Esta vulnerabilidade afeta setores estratégicos, como a indústria automóvel, a defesa e a tecnologia.

Von der Leyen também mencionou que a mudança na ordem mundial se deve a práticas que antes eram raras, como o controlo de exportações. A presidente da Comissão Europeia sublinhou que as restrições chinesas não são um fenómeno isolado, mas parte de um padrão mais amplo de fricção económica entre a China e os EUA, que impacta diretamente a Europa.

Leia também  UE mantém ativos russos congelados para apoiar Ucrânia

Em resposta a esta situação, Von der Leyen anunciou a iniciativa RESourceEU, que visa acelerar parcerias com países como Canadá, Chile e Cazaquistão para garantir o acesso a matérias-primas críticas. A presidente indicou que a estratégia europeia será faseada, começando por procurar soluções com os homólogos chineses, mas estando pronta para agir se necessário.

As novas restrições chinesas, que exigem aprovação do governo para exportar ímanes que contenham terras raras, representam um desafio significativo. A iniciativa RESourceEU também se concentrará na reciclagem de matérias-primas críticas a partir de produtos disponíveis na Europa, com o objetivo de reduzir a dependência externa.

Von der Leyen enfatizou a necessidade de uma Europa mais independente e resiliente, alertando que não se pode permitir novas dependências. O discurso no Berlin Global Dialogue reflete uma abordagem de “redução de riscos” nas relações com a China, embora as recentes restrições testem os limites dessa estratégia.

Nos próximos dias, representantes europeus e chineses deverão reunir-se em Bruxelas para discutir as tensões comerciais. O sucesso ou fracasso destas conversações poderá determinar se a retórica de Von der Leyen se traduzirá em ações concretas ou se a diplomacia conseguirá evitar um confronto entre estas duas potências económicas.

Leia também: A importância das matérias-primas na economia global.

matérias-primas matérias-primas Nota: análise relacionada com matérias-primas.

Leia também: China aprova 15º plano quinquenal para enfrentar EUA

Fonte: ECO

Não percas as principais notícias e dicas de Poupança

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back To Top