Sónia Silva, uma guineense nascida em Lisboa, tem dedicado a sua carreira à banca de investimento em Nova Iorque, mas a sua verdadeira paixão reside na filantropia. Através da fundação For Women by Women (FWBW), Sónia tem trabalhado para empoderar mulheres e jovens na Guiné-Bissau, país de origem da sua mãe. A ideia para a FWBW surgiu durante a pandemia, num momento em que a necessidade de apoio e formação se tornou evidente.
“Coloquei algumas coisas na parede e disse: podes fazer mais. Mentoria, orientação profissional, formações… Eu já o fazia no banco”, recorda Sónia. A FWBW tem como missão promover o empoderamento feminino através da educação, oferecendo formação, orientação profissional, saúde e bem-estar, além de uma rede de contactos. As iniciativas incluem conferências, feiras e workshops, com um foco especial no desenvolvimento de soft skills e inteligência emocional.
Um dos marcos da FWBW foi a realização de uma roda de conversa sobre saúde emocional e empoderamento feminino, que atraiu 150 participantes em Bissau e Bissorã. “A saúde mental é um tabu no país, e foi importante para nós que a conversa fosse aceita”, afirma Sónia. Ela defende que os homens devem ser aliados na luta pela igualdade de género, participando ativamente nas discussões sobre empoderamento.
A Feira do Trabalho, que acontece anualmente em dezembro, é um dos principais eventos da FWBW, onde se discutem temas como educação, empreendedorismo e mercado de trabalho na Guiné-Bissau. Sónia também tem viajado para Bissau para conduzir workshops sobre liderança, especialmente no Dia da Mulher.
Antes de se dedicar à FWBW, Sónia construiu uma carreira sólida na banca, começando em Londres e passando por instituições como o Standard Chartered Bank e o J.P. Morgan. Em 2022, foi reconhecida pela Forbes África Lusófona como uma das 100 líderes femininas mais influentes. Em novembro, estará entre os oradores da conferência “Opportunities in Africa Summit 2025” em Nova Iorque.
Sónia reflete sobre a sua responsabilidade como executiva de sucesso: “As pessoas olham para mim e perguntam: e depois? Que mais posso fazer?”. A sua viagem à Guiné-Bissau em 2017 despertou um forte desejo de contribuir para a sua comunidade. “Senti uma conexão enorme e um dever de fazer mais”, explica.
A FWBW celebrou cinco anos de atividade em Bruxelas, destacando-se como uma causa que vai além de uma simples fundação. Entre as iniciativas mais recentes está a Tech4Her, que visa ensinar tecnologia a 400 raparigas e mulheres. Sónia planeia expandir a FWBW para outros países da lusofonia, com um enfoque em ações que gerem impacto real.
“Estamos a expandir, mas de forma paulatina. O nosso objetivo não é sermos vistos, mas sim fazer a diferença”, conclui Sónia Silva, que continua a usar a sua influência para promover o empoderamento feminino na Guiné-Bissau e além.
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empoderamento feminino empoderamento feminino Nota: análise relacionada com empoderamento feminino.
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Fonte: Sapo





