A ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, anunciou a criação de um grupo de trabalho dedicado à exibição de salas de cinema. Esta decisão surge num contexto preocupante, em que várias salas de cinema fecharam em Portugal ao longo do ano.
Durante uma audição parlamentar sobre a proposta de lei do Orçamento do Estado para 2026, a ministra foi questionada pelo PCP sobre o encerramento de salas de cinema. Margarida Balseiro Lopes afirmou que “o tema da desafetação está no topo das prioridades do Governo”. A ministra sublinhou a importância de encontrar soluções para a situação atual, que afeta a diversidade e a acessibilidade à cultura cinematográfica.
O grupo de trabalho será composto pelo Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA) e pela Inspeção-Geral das Atividades Culturais (IGAC). O objetivo é avaliar a melhor forma de responder ao aumento de pedidos de desafetação de salas de cinema, que têm surgido em várias regiões do país. De acordo com a IGAC, os distritos de Beja, Bragança e Portalegre não têm atualmente exibição comercial de cinema regular e diversificada.
Recentemente, a IGAC autorizou o Arrábida Shopping, em Vila Nova de Gaia, a desafetar a atividade cinematográfica em nove das suas 20 salas, citando questões de “viabilidade económica”. Além disso, foram registados pedidos semelhantes em centros comerciais de Viana do Castelo e Braga.
Em Beja, a única sala de cinema comercial, a Melius Beja, fechou em agosto para remodelação, sem previsão de reabertura. A NOS Cinemas, a maior exibidora do país, também encerrou salas no MaiaShopping, no Porto, e no Tavira Grand Plaza, em Faro. Em outubro, o jornal Público reportou que a NOS Cinemas tinha encerrado seis salas no Fórum Viseu, enquanto a Cineplace fechou salas no Algarve Shopping, na Guia, no Madeira Shopping, no Funchal, e no Rio Sul Shopping, no Seixal.
Os dados mais recentes do ICA indicam que, em 2024, existiam 563 salas de cinema em Portugal, com uma concentração significativa na região de Lisboa, seguida do Norte e Centro. Contudo, os números de 2025, que contabilizam até setembro, apontam para uma redução, com apenas 550 salas de cinema em funcionamento.
A criação deste grupo de trabalho é um passo importante para abordar a questão do fecho de salas de cinema e garantir que a população continue a ter acesso a uma oferta cultural diversificada. O Governo reconhece a necessidade de agir rapidamente para preservar a exibição cinematográfica em Portugal.
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Fonte: ECO





