Durante a Web Summit, que decorreu em Lisboa, o presidente da Microsoft, Brad Smith, sublinhou a importância da adoção de inteligência artificial (IA) em detrimento da construção de infraestrutura. A afirmação foi feita no mesmo dia em que a empresa anunciou um investimento de dez mil milhões de dólares em chips de IA em Portugal. Smith destacou que a velocidade de adoção da IA nas áreas urbanas é até cinco vezes superior à das zonas rurais, uma tendência que também se verifica em Portugal.
O gestor, que é presença habitual na cimeira tecnológica, apresentou dados que mostram que os Estados Unidos lideram a corrida à infraestrutura de IA, com uma capacidade instalada de 53,7 GW, seguidos pela China com 31,9 GW e pela União Europeia com 11,9 GW. No entanto, ao analisar a difusão da IA, a Europa apresenta um panorama mais otimista. Smith referiu que metade dos 15 países que mais adotam a IA são europeus, com os Emirados Árabes Unidos e Singapura a liderar o ranking global.
“A verdade é que o futuro pertence àqueles que irão usar IA para propósitos mais nobres”, afirmou Brad Smith, lembrando que a tecnologia, impulsionada pelo surgimento do ChatGPT, alcançou um bilhão de utilizadores mais rapidamente do que qualquer outra. Contudo, o presidente da Microsoft alertou para o risco de exclusão digital, estimando que cerca de 3,9 mil milhões de pessoas em todo o mundo podem ficar para trás, devido à falta de acesso à tecnologia e à internet.
Smith também destacou a disparidade na adoção de IA entre áreas urbanas e rurais. “Nas zonas urbanas, a utilização de IA é significativamente maior do que nas áreas rurais, o que pode agravar as divisões sociais”, afirmou. Esta realidade é preocupante, pois a falta de acesso à tecnologia pode aumentar as desigualdades existentes.
Outro ponto abordado foi a sub-representação de línguas na formação de modelos de IA. Smith reconheceu que a maioria dos dados utilizados para treinar IA está em inglês, o que limita a eficácia da tecnologia em contextos não anglófonos. “Temos de disponibilizar mais conteúdo noutras línguas para garantir que a IA serve adequadamente a população europeia”, frisou.
Por fim, o presidente da Microsoft enfatizou a necessidade de um desenvolvimento responsável da IA, que respeite as culturas e valores locais. A empresa anunciou que o investimento em Portugal, que inclui a aquisição de 12.600 placas gráficas da Nvidia, visa posicionar o país como um líder na próxima onda de inovação em IA. “Portugal tem potencial para liderar a próxima vaga de IA”, concluiu Brad Smith.
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Fonte: ECO





