A visita de Donald Trump à Ásia, além de buscar um entendimento com a China, parece ter sido mais uma oportunidade para promover a sua imagem como o “pacificador do mundo”. Durante a Cimeira da ASEAN em Kuala Lumpur, Trump não hesitou em se apresentar como mediador nas tensões entre a Tailândia e o Camboja, um gesto que, segundo analistas, visava aumentar a sua notoriedade internacional.
No entanto, a verdadeira questão em jogo para Trump é a China e as terras raras. Estas substâncias são cruciais para várias indústrias, incluindo a tecnologia e a defesa. Trump enfrenta um desafio significativo, pois as suas políticas de tarifas sobre as importações chinesas não resultaram nos efeitos desejados. O presidente chinês, Xi Jinping, respondeu de forma assertiva, levando a uma escalada nas tensões comerciais.
A encenação de Trump em relação a Xi foi marcada por elogios, com o ex-presidente a afirmar que o líder chinês merecia uma nota 12 numa escala de 0 a 10. Contudo, essa abordagem pode não ter sido bem recebida por um governo chinês que valoriza a formalidade e o conteúdo nas relações internacionais.
As negociações entre os dois países, que ocorrerão na Coreia do Sul a 30 de Outubro, têm como objetivo aliviar as tensões comerciais. Embora tenha havido uma redução de 10% nas tarifas sobre o fentanil, a situação da soja continua incerta, uma vez que a China já estabeleceu compromissos com outros países, como o Brasil.
No que diz respeito às terras raras, a China decidiu adiar os controles de exportação de cinco elementos essenciais, mas mantém restrições sobre outros sete, que são críticos para a indústria americana. Trump não conseguiu convencer Xi a mudar de posição, uma situação que deixa os Estados Unidos numa posição vulnerável, especialmente considerando a dependência da alta tecnologia que incorpora esses elementos.
A competição tecnológica entre os EUA e a China é intensa e, sem um aprofundamento nas negociações, as tensões comerciais podem voltar a aumentar a qualquer momento. O Ocidente, incluindo a Europa, observa com preocupação a ascensão da China, que, desde os anos 80, tem vindo a dominar a produção de terras raras, uma situação que se reflete na dependência crescente do Ocidente.
O domínio da China neste setor não é acidental. Através de uma combinação de investimento em pesquisa e desenvolvimento, deslocalização industrial e mão de obra mais barata, a China conseguiu estabelecer-se como líder global em terras raras. O Ocidente, por sua vez, precisa repensar as suas estratégias de negociação e produção para não ficar à mercê de uma dependência que pode ser prejudicial no futuro.
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Fonte: Sapo





