A Comissão Europeia voltou a recorrer aos mercados financeiros esta semana, emitindo obrigações no valor de cinco mil milhões de euros com maturidade a cinco anos. Esta operação, que teve uma procura impressionante de 17,3 vezes superior à oferta, resultou num custo de 2,527% para Bruxelas. Com esta emissão, a dívida da União Europeia atinge agora um total de 733 mil milhões de euros.
A emissão foi coordenada por um consórcio de bancos, incluindo Goldman Sachs, HSBC, JP Morgan, Natixis e UBS. O spread em relação ao mid-swap a cinco anos foi fixado em 12 pontos base, o que representa 24,4 pontos base acima da Bund alemã com vencimento em 2030 e 17,2 pontos base abaixo da OAT francesa com maturidade em 2030.
Os fundos obtidos com esta emissão serão utilizados para financiar programas políticos da União Europeia, nomeadamente no âmbito do NextGenerationEU e no apoio à Ucrânia. Desde julho, a Comissão Europeia já emitiu 62,3 mil milhões de euros, totalizando mais de 148 mil milhões desde o início do ano. Este volume coloca a União Europeia entre os principais emissores soberanos no mercado obrigacionista europeu, ao lado de países como a Alemanha, França e Itália.
Com a operação realizada na terça-feira, a dívida da União Europeia em obrigações emitidas sob a abordagem de financiamento unificada ascende a 560,46 mil milhões de euros. Deste montante, quase 353 mil milhões foram destinados aos Estados-membros através do Mecanismo de Recuperação e Resiliência do NextGenerationEU, enquanto cerca de 76 mil milhões foram alocados a outros programas beneficiários.
O apoio à Ucrânia também é uma prioridade, com quase 21,1 mil milhões já desembolsados através do Mecanismo para a Ucrânia, que financiará até 33 mil milhões em empréstimos entre 2024 e 2027. Recentemente, a Comissão Europeia também desembolsou a última tranche de 4,1 mil milhões de um empréstimo excecional de assistência macrofinanceira de 18 mil milhões, que será reembolsado com os rendimentos dos ativos do Estado russo imobilizados.
A Comissão Europeia planeia encerrar as emissões de obrigações deste ano com um leilão de até 5 mil milhões de euros a 1 de dezembro, seguido de uma oferta subsequente não competitiva. Desde janeiro de 2023, a União Europeia tem adotado uma abordagem unificada para financiar os seus programas, emitindo obrigações sob uma única marca, as EU-Bonds, em vez de títulos separados para cada programa.
Atualmente, a dívida total em circulação da União Europeia é composta por cerca de 35,29 mil milhões em títulos de dívida de curto prazo (EU-Bills). Mais de um terço do saldo vivo destes títulos terá de ser devolvido aos investidores nos próximos cinco anos. A dívida da União Europeia continua a ser garantida pelo orçamento da União, com as contribuições dos Estados-membros a serem uma obrigação legal incondicional.
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dívida da União Europeia dívida da União Europeia Nota: análise relacionada com dívida da União Europeia.
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Fonte: ECO





