Um grupo de cientistas expressou preocupação em relação às propostas apresentadas na 30.ª Conferência do Clima da ONU (COP30), que decorre em Belém, Brasil. Segundo os especialistas, as sugestões para a eliminação dos combustíveis fósseis e o fim da desflorestação são consideradas provocatórias e insuficientes.
Na terça-feira, a presidência da COP30 divulgou um texto que propõe três opções para avançar na eliminação dos combustíveis fósseis: a realização de um workshop para partilhar histórias de sucesso, a convocação de uma reunião ministerial de alto nível e uma terceira opção sem qualquer conteúdo específico. Os cientistas, incluindo conselheiros da presidência da conferência, afirmaram que um verdadeiro roteiro deve ser um plano de trabalho claro, que defina objetivos e etapas concretas.
Johan Rockström, diretor do Instituto Postdam para a Investigação do Impacto Climático, destacou a urgência de um plano eficaz para acelerar o abandono dos combustíveis fósseis. “Um roteiro deve incluir metas quantificáveis para cada país, com prazos definidos para 2026, 2027 e 2028. O tempo para agir é agora”, afirmou Rockström.
A necessidade de uma transição para a eliminação dos combustíveis fósseis foi mencionada pela primeira vez na COP28, realizada no Dubai, mas as diretrizes permanecem vagas. O Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, lançou a ideia de um roteiro na abertura da COP30, mas a proposta ainda não encontra consenso entre os quase 200 países presentes.
Rockström sublinhou que, para enfrentar a crise climática, as emissões globais devem ser reduzidas em 5% ao ano, enquanto atualmente estão a aumentar 1% anualmente. “Os melhores planos apresentados na COP30 visam uma redução de 5% ao longo de 10 anos, o que é 10 vezes mais lento do que o necessário”, lamentou.
Os cientistas consideram que as propostas da presidência da COP30 não são suficientemente ambiciosas e representam um risco para a segurança de milhões de pessoas. Além disso, Rockström enfatizou a importância de incluir o financiamento necessário para ajudar economias emergentes e em desenvolvimento a abandonarem o carvão.
A desflorestação também foi abordada como um desafio significativo, uma vez que 25% do dióxido de carbono proveniente dos combustíveis fósseis é absorvido pelas florestas. No entanto, as florestas estão a perder a capacidade de atuar como sumidouros de carbono, o que torna a situação ainda mais crítica.
“Precisamos reconhecer que a crise climática não se limita à transição energética, mas também à preservação dos oceanos e da natureza terrestre”, alertou Rockström. Ele lembrou que cerca de 50% das emissões resultantes da queima de combustíveis fósseis não estão na atmosfera, mas sim na natureza e nos oceanos.
A COP30, que começou no dia 10 de dezembro, deverá terminar na próxima sexta-feira. Leia também: “Impacto das mudanças climáticas nas economias emergentes”.
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Fonte: Sapo





