A confiança dos consumidores nos Estados Unidos sofreu uma queda acentuada em novembro, atingindo o nível mais baixo desde abril deste ano. Este declínio ocorre num contexto em que as famílias se mostram cada vez mais preocupadas com o mercado de trabalho e o rendimento disponível para o próximo ano.
O índice de confiança dos consumidores, elaborado pelo Conference Board, registou uma descida de 6,8 pontos, fixando-se em 88,7. Este é o valor mais baixo desde abril. O subindicador que analisa a situação atual caiu 4,3 pontos, para 126,9, enquanto o que se refere às expectativas dos consumidores perdeu 8,6 pontos, descendo para 63,2. Este último índice já acumula dez leituras consecutivas abaixo dos 80 pontos, um sinal que indica a possibilidade de uma recessão.
Dana Peterson, economista-chefe do Conference Board, destacou a deterioração das expectativas das famílias norte-americanas, especialmente no que toca ao emprego. “Os consumidores estão visivelmente mais pessimistas em relação ao ambiente de negócios nos próximos seis meses. As perspetivas para o mercado de trabalho em 2026 são bastante negativas, e as expectativas de crescimento do rendimento disponível encolheram drasticamente”, afirmou.
As preocupações com o mercado laboral são evidentes. A percentagem de inquiridos que considera que os empregos são “abundantes” caiu de 28,6% para apenas 6%. Esta diminuição reflete o atual cenário de estagnação no emprego nos EUA, onde se observa uma situação de “não contrata, não despede”.
Este desânimo é generalizado entre os diferentes grupos de rendimento, embora os consumidores com rendimentos abaixo de 15 mil dólares anuais tenham reportado uma ligeira melhoria, continuando, no entanto, a ser o grupo com as expectativas mais baixas.
Por outro lado, as expectativas em relação à inflação aumentaram, com os consumidores a preverem uma taxa de 4,8% para o próximo ano, muito acima dos 2% que a Reserva Federal (Fed) projeta.
Esses dados foram divulgados no mesmo dia em que a ADP, empresa responsável pelo processamento de salários no setor privado, anunciou uma perda de 13.500 postos de trabalho por semana no último mês, intensificando as preocupações das famílias e dos economistas sobre a situação económica nos EUA.
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Fonte: Sapo





