Preços do gás aliviam após acordo da UE com a Rússia

Os preços do gás na União Europeia (UE) registaram uma ligeira descida após a decisão histórica de cessar a importação de gás russo até 2027. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou esta medida como um marco significativo, embora os especialistas alertem para a possibilidade de uma volatilidade nos preços antes que se atinja uma estabilização.

De acordo com Paulo Rosa, economista sénior do Banco Carregosa, o acordo representa um passo importante na redução da dependência energética da Rússia, uma relação que se arrastou por décadas. Para Nuno Mello, analista da XTB, o impacto simbólico e geopolítico do acordo não deve ser subestimado, uma vez que implica um esforço conjunto de 27 países.

A decisão de encerrar a importação de gás russo é complexa e aplica-se a diferentes tipos de gás, incluindo o gás natural liquefeito (GNL). A proibição das importações de gás por gasoduto começará em junho de 2026, enquanto as compras de GNL devem ser completamente eliminadas até abril do mesmo ano. Para contratos de longo prazo, o prazo final é setembro de 2027, podendo ser alargado em situações excepcionais.

No entanto, a transição não será fácil para todos os países. Na Europa, nações como Hungria, Eslováquia e Áustria enfrentam maiores desafios devido a contratos de longo prazo com a Gazprom e à falta de terminais de GNL. A Alemanha, que historicamente foi um dos maiores compradores de gás russo, já não recebe gás por gasoduto desde 2022, o que a torna mais vulnerável a picos de preços.

Os preços do gás de referência na Europa, o TTF, registaram uma descida de 3,3%, fixando-se nos 27,28 euros por megawatt-hora (MWh), o valor mais baixo em 18 meses. Apesar deste alívio momentâneo, os especialistas preveem que a eliminação do gás russo poderá provocar uma pressão nos preços a curto prazo, uma vez que o GNL tende a ser mais caro.

Leia também  António Costa reafirma defesa europeia após ameaças de Trump

Nuno Ribeiro da Silva, consultor na área de energia, sublinha que a adaptação à nova realidade exigirá investimentos em infraestruturas e diversificação de fornecedores. Aumentar as importações de GNL e reforçar parcerias com países como os Estados Unidos e a Noruega são algumas das estratégias a serem adotadas.

Em Portugal, a situação é menos preocupante. O país não depende de gasodutos russos, uma vez que a maioria do gás é importada através de GNL, principalmente da Nigéria e dos EUA. Embora a fatia de gás russo nas importações de Portugal tenha sido de cerca de 5% em 2025, a necessidade de ajustar contratos e garantir o abastecimento por vias alternativas é essencial.

Os preços do gás, embora tenham aliviado, podem ainda sofrer oscilações antes de uma estabilização definitiva. À medida que a Europa se adapta a esta nova realidade, a diversificação das fontes de gás e o aumento da eficiência energética serão cruciais para mitigar os impactos futuros.

Leia também: O futuro do gás natural na Europa e as suas implicações.

preços do gás preços do gás Nota: análise relacionada com preços do gás.

Leia também: Netanyahu e a Estratégia da Guerra: Análise Crítica

Fonte: ECO

Não percas as principais notícias e dicas de Poupança

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back To Top