Denúncia de espancamentos contra Narges Mohammadi no Irão

A família de Narges Mohammadi, a ativista iraniana recentemente laureada com o Prémio Nobel da Paz, denunciou espancamentos e humilhações durante a sua detenção. Esta situação ocorreu na passada sexta-feira, quando Mohammadi foi presa juntamente com outros ativistas durante uma cerimónia em memória do advogado Khosrow Alikordi, encontrado morto em circunstâncias misteriosas.

A Fundação Narges Mohammadi, que defende os direitos da ativista, revelou que desde a detenção não houve qualquer informação sobre o estado de saúde ou as condições dos detidos. “É urgente garantir acesso imediato a cuidados médicos e investigar as agressões”, afirmou a fundação nas redes sociais. Os familiares dos detidos não tiveram, até ao momento, acesso a advogados, o que levanta preocupações sobre a legalidade das detenções.

De acordo com a procuradoria de Mashhad, 39 pessoas foram detidas por “perturbação da ordem pública”. Entre os detidos estão Narges Mohammadi, o irmão de Alikordi, Javad Alikordi, e Sepidé Qolyan, que teriam incitado os presentes a protestar contra o regime. O Ministério Público também acusou Javad Alikordi de tentar divulgar um filme considerado “destrutivo”.

A detenção de Narges Mohammadi e dos outros ativistas gerou condenações internacionais. A Nobel da Paz iraniana Shirin Ebadi elogiou a crescente mobilização em defesa da liberdade no Irão. O Comité Norueguês do Nobel e outras figuras proeminentes, como a venezuelana María Corina Machado, também criticaram as detenções, destacando a coragem de Mohammadi em lutar pelos direitos humanos.

Machado sublinhou que Narges Mohammadi foi presa por se recusar a aceitar a humilhação e por defender a dignidade das mulheres. O Departamento de Estado dos EUA também se manifestou contra o regime iraniano, criticando a violência utilizada contra os participantes da cerimónia em memória de Alikordi.

Narges Mohammadi, de 53 anos, tem um longo histórico de ativismo e já passou a maior parte dos últimos 20 anos na prisão. A ativista, que acumulou uma pena total de 31 anos por diversas condenações, tem sido uma voz forte contra o rígido código de vestimenta das mulheres no Irão e os abusos cometidos pelas autoridades.

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Desde a sua libertação provisória em dezembro de 2024, após um pedido por motivos médicos, a sua família tem alertado para o risco de nova detenção. Mohammadi, que sofreu vários problemas de saúde, incluindo ataques cardíacos, continua a ser uma figura central na luta pelos direitos das mulheres e pela justiça no Irão.

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Fonte: Sapo

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