Endividamento prolongado para comprar casa em Portugal

Nos últimos anos, tem-se verificado um aumento significativo no número de famílias em Portugal que optam por prazos de 30 anos ou mais nos créditos à habitação. Esta tendência surge num contexto de preços elevados das casas e rendimentos que não acompanham o custo da habitação, levando muitos a esticar os prazos como forma de aliviar a pressão financeira mensal.

De acordo com o mais recente relatório de crédito à habitação do ComparaJá, muitos dos novos contratos estão a ser celebrados com maturidades que se aproximam das três décadas. Esta realidade tornou-se uma norma para quem está a entrar no mercado imobiliário. A combinação da subida dos preços das casas com taxas de juro ainda relativamente elevadas tem forçado as famílias a optar por prazos mais longos para encaixar a prestação no seu orçamento mensal.

Esta situação é especialmente visível entre os jovens e os agregados familiares que estão a iniciar a sua vida ativa. Para muitos, um empréstimo a 30 ou 35 anos deixou de ser uma opção viável e passou a ser, na verdade, a única forma de conseguir acesso à casa própria. Contudo, especialistas alertam que esta estratégia pode aumentar a exposição das famílias a riscos futuros, especialmente em cenários de alterações nas condições económicas ou na disponibilidade de rendimento.

Embora a extensão do prazo permita reduzir a prestação mensal em algumas dezenas de euros, o custo total do crédito à habitação aumenta de forma significativa ao longo do tempo. Muitas famílias veem-se obrigadas a abdicar de outras despesas e a adotar uma gestão financeira mais restritiva para fazer face a este encargo.

Pedro Castro, Head of Operations de Crédito à Habitação no ComparaJá, comenta que esta realidade reflete um problema estrutural do mercado. “O facto de tantos portugueses estarem a recorrer a prazos de 30 ou mais anos não é uma escolha por conveniência, mas sim um sinal claro de que o rendimento disponível não acompanha o custo da habitação. As famílias esticam o prazo porque, de outra forma, simplesmente não conseguem entrar no mercado”, afirma.

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O responsável destaca a importância de uma decisão informada ao contrair um crédito à habitação. “Uma prestação mais baixa hoje pode significar um custo total muito maior amanhã. Comparar propostas, negociar condições e rever o contrato quando o contexto de taxas de juro for mais favorável deve fazer parte da estratégia de quem assume um crédito tão longo”, conclui.

Leia também: O impacto das taxas de juro no crédito à habitação.

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Fonte: Sapo

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