Japão reativa maior central nuclear do mundo após Fukushima

O Japão deu um passo significativo na sua política energética ao aprovar, esta segunda-feira, o restabelecimento das operações da maior central nuclear do mundo, a Kashiwazaki-Kariwa. Esta decisão surge quase 15 anos após o desastre nuclear de Fukushima, que teve um impacto profundo na política energética do país.

A assembleia da província de Niigata, onde se localiza a central, autorizou a Tokyo Electric Power Company (TEPCO) a reativar um dos sete reatores da instalação. Segundo a emissora pública NHK, a reativação do reator número 6 está prevista para o dia 20 de janeiro. O porta-voz da TEPCO, Masakatsu Takata, afirmou que a empresa está comprometida em garantir que um acidente semelhante ao de Fukushima não volte a ocorrer, assegurando a segurança dos residentes de Niigata.

No entanto, a decisão não é unânime. Uma sondagem realizada pela Câmara Municipal de Niigata em outubro revelou que 60% dos residentes não confiam que as condições de segurança para a reativação da central nuclear tenham sido cumpridas. Além disso, quase 70% dos inquiridos expressaram preocupações sobre a capacidade da TEPCO para operar a central de forma segura.

A central nuclear de Kashiwazaki-Kariwa foi uma das 54 unidades desativadas após o desastre de Fukushima. Desde então, o Japão reativou 14 dos 33 reatores nucleares que ainda estão operacionais, segundo dados da Associação Mundial Nuclear. Com uma capacidade total de 8,2 gigawatts (GW), a central tem potencial para abastecer milhões de lares. A reativação das operações permitirá que uma unidade de 1,36 GW entre em funcionamento em 2026 e outra com a mesma capacidade em 2030.

Antes do desastre de Fukushima, as centrais nucleares no Japão eram responsáveis por cerca de 30% da eletricidade consumida no país. Após o acidente, o Japão aumentou a sua dependência de combustíveis fósseis importados, como carvão e gás, para garantir o fornecimento de energia. Atualmente, estima-se que entre 60% a 70% da geração de eletricidade no Japão provém de combustíveis fósseis, o que representa um custo de aproximadamente 68 mil milhões de dólares (57 mil milhões de euros) apenas em 2024.

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O Japão tem um compromisso de atingir emissões líquidas zero até 2050 e, para isso, planeia aumentar a participação da energia nuclear na sua matriz elétrica para 20% até 2040. A reativação da central nuclear de Kashiwazaki-Kariwa é um passo importante nesse sentido, embora a resistência da população e as preocupações com a segurança continuem a ser um desafio.

Leia também: O futuro da energia nuclear no Japão e as suas implicações económicas.

central nuclear Nota: análise relacionada com central nuclear.

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Fonte: Sapo

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