Chefias do Hospital Amadora-Sintra demitem-se após crise nas urgências

Na noite de 2 para 3 de janeiro, a urgência geral do Hospital Amadora-Sintra enfrentou uma situação alarmante, funcionando durante várias horas apenas com um médico na área ambulatória. Este episódio, considerado “de extrema gravidade” pelo Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS) e pela Federação Nacional dos Médicos (FNAM), levou à demissão da chefe e subchefe da equipa de urgência.

As estruturas sindicais sublinham que a equipa disponível era manifestamente insuficiente para lidar com a afluência e a gravidade clínica dos casos. Até à meia-noite do dia 2, a escala incluía um chefe de equipa, quatro médicos no serviço de observação e dois médicos na área ambulatória. Contudo, após essa hora, apenas um médico ficou responsável por todos os doentes da área ambulatória, uma situação inaceitável do ponto de vista clínico e organizacional.

Naquela noite, o hospital tinha 179 doentes em circulação, com mais de 60 internados no serviço de observação. Os tempos de espera eram alarmantes: os doentes triados como laranja aguardavam mais de seis horas pela primeira observação médica, enquanto os doentes amarelos ultrapassavam as 20 horas de espera. Esta realidade é claramente incompatível com a prestação de cuidados de saúde seguros e atempados.

Os sindicatos afirmam que o conselho de administração da Unidade Local de Saúde Amadora-Sintra estava ciente da situação, o que indica que não se tratou de uma falha imprevista, mas sim de uma escala previamente definida sem medidas corretivas. Para os representantes dos médicos, essa inação revela uma grave incapacidade de gestão e um desrespeito pelos profissionais e utentes. A gravidade e repetição de tais situações levaram à demissão das duas responsáveis, refletindo um limite ético e profissional.

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Além disso, os sindicatos criticam o que consideram um “abandono político”, responsabilizando o conselho de administração do hospital pela sua incompetência. Desde novembro, esta administração está demissionária e ainda não foi substituída, deixando uma das maiores unidades hospitalares do país sem liderança efetiva. O Governo e a ministra da Saúde também são alvo de críticas, pois as urgências hospitalares continuam sem capacidade de resposta, falhando na fixação de médicos no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Recentemente, trinta médicos da urgência geral do Hospital Amadora-Sintra enviaram uma carta à Ordem dos Médicos, denunciando escalas deficitárias que não cumprem os rácios de segurança. Esta situação tem sido recorrente e motivado o envio de muitas escusas de responsabilidade.

A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, admitiu que a situação nos hospitais é “muito crítica” e não espera melhorias nas urgências durante a semana. O aumento de doentes, especialmente após as festas e férias, agrava a situação. Portugal enfrenta uma epidemia de gripe, com um inverno mais severo e vírus mais agressivos em circulação. A ministra espera que, em breve, se possa verificar se o pico da doença já foi atingido.

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Hospital Amadora-Sintra Hospital Amadora-Sintra Hospital Amadora-Sintra Nota: análise relacionada com Hospital Amadora-Sintra.

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Fonte: Sapo

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