A Sicasal, uma conhecida indústria de carnes situada no concelho de Mafra, foi oficialmente declarada insolvente. A decisão foi tomada pelo Tribunal da Comarca de Lisboa Oeste, a pedido do Banco Comercial Português (BCP), um dos principais credores da empresa. O anúncio da insolvência foi publicado esta quarta-feira, marcando um novo capítulo para a Sicasal, que já enfrentava dificuldades financeiras.
O tribunal nomeou Jorge Calvete como administrador de insolvência, e a assembleia de credores está agendada para o dia 4 de março. Em declarações à agência Lusa, Calvete revelou que, apesar da paragem da produção na Sicasal, existe a intenção de apresentar um plano de recuperação que permita reativar a unidade. O administrador também mencionou que há vários investidores interessados em adquirir a empresa, o que poderá abrir novas oportunidades para a Sicasal.
Os números falam por si: a Sicasal contava com 315 trabalhadores no final de 2024, mas esse número caiu para 260 até ao final de 2025. A empresa, que chegou a faturar quase 100 milhões de euros, viu a sua situação deteriorar-se nos últimos anos, com um faturamento de 69,7 milhões de euros em 2023 e prejuízos acumulados de 12 milhões entre 2022 e 2023.
A produção na Sicasal foi interrompida no final do verão de 2025, e a empresa tentou avançar para um Processo Especial de Revitalização (PER) em outubro do mesmo ano. No entanto, o tribunal rejeitou o PER devido à falha na entrega de documentos essenciais por parte da empresa, complicando ainda mais a situação da Sicasal.
Fundada em 1968 por Álvaro Santos Silva, a Sicasal já enfrentou desafios significativos no passado, incluindo um incêndio em 2011 que destruiu parte da sua área de produção. Na altura, a empresa conseguiu recuperar e manter os postos de trabalho de cerca de 700 colaboradores. Em 2013, a Sicasal registou um faturamento de 85 milhões de euros, com um aumento de 30% nas vendas, após ter investido cerca de 15 milhões de euros na recuperação e ampliação das suas instalações.
A situação atual da Sicasal levanta preocupações sobre o futuro da empresa e dos seus trabalhadores. A expectativa é que o plano de recuperação proposto pelo administrador possa trazer uma nova esperança para a indústria de carnes, que já teve um papel importante na economia local.
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Fonte: ECO





