Investidores devem considerar os convertible bonds em vez de ações

O mercado de capitais é dinâmico e, frequentemente, surpreendente. Nos últimos anos, vivemos um período de juros muito baixos e uma aparente estabilidade que fez com que muitos investidores olhassem para as ações e obrigações tradicionais como as únicas opções viáveis. No entanto, a realidade está a mudar, e os convertible bonds estão a ganhar destaque como uma alternativa interessante.

Nos últimos dois anos, o mercado de convertible bonds tem mostrado um renascimento notável. Empresas de setores como tecnologia, saúde e energias renováveis têm recorrido a estes instrumentos para financiar os seus planos de expansão. Em vez de optarem por aumentos de capital que diluem a participação dos acionistas, estas empresas estão a escolher estruturas que permitem aos investidores converter as suas obrigações em ações mais tarde, caso a criação de valor se concretize.

Para os investidores, esta mudança é vantajosa. Aumento na emissão de convertible bonds significa mais diversidade setorial e melhores oportunidades de entrada em termos de preço e condições. Além disso, a qualidade dos emissores também melhorou. Hoje, muitos dos títulos são emitidos por empresas sólidas, algumas com rating investment grade. Esta evolução altera a forma como os investidores institucionais percebem os convertible bonds, que deixam de ser vistos como produtos de risco elevado para se tornarem uma parte credível da matriz de risco das suas carteiras.

A crescente volatilidade do mercado e o aumento das taxas de juro têm levado a uma maior procura por soluções de financiamento mais flexíveis. Os convertible bonds oferecem uma alternativa que combina a proteção contra quedas com a possibilidade de beneficiar de subidas acentuadas das ações. Para os gestores de ativos, esta assimetria é uma ferramenta valiosa na gestão do risco.

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Além disso, o regresso das estratégias de convertible arbitrage é um sinal claro de que o mercado está a tornar-se mais profundo e líquido. Isso beneficia não apenas os investidores que utilizam estas estratégias, mas também aqueles que investem de forma mais tradicional, uma vez que um mercado mais ativo tende a precificar melhor o risco.

Outro desenvolvimento importante é a crescente intersecção entre os convertible bonds e o private credit. Cada vez mais, operações estruturadas em contextos privados incluem elementos conversíveis, permitindo um equilíbrio entre proteção e participação no crescimento das empresas. Esta abordagem é especialmente relevante em mercados menos líquidos, onde a flexibilidade é crucial.

O aumento das taxas de juro nos últimos anos serviu como um alerta para muitas empresas, que perceberam que depender exclusivamente de dívida tradicional pode ser arriscado. Os convertible bonds voltam, assim, a assumir o seu papel essencial como uma solução que equilibra custo de capital e flexibilidade.

A profissionalização do mercado secundário de convertible bonds também tem contribuído para a sua atratividade. Com maior transparência e liquidez, os investidores têm agora acesso a informações mais detalhadas, o que facilita a tomada de decisões.

Num ambiente macroeconómico incerto, os convertible bonds oferecem uma alternativa que combina crescimento e proteção. Se o cenário for positivo, os investidores beneficiam do crescimento; se for negativo, têm uma camada de proteção que reduz as perdas. Esta lógica está a mudar a forma como os investidores institucionais integram os convertible bonds nas suas políticas de investimento, reconhecendo-os como uma classe híbrida com espaço próprio.

À medida que o mercado evolui, os gestores que se adaptam a estas novas realidades e incorporam os convertible bonds nas suas estratégias estarão melhor posicionados para navegar num ambiente económico desafiador. Os próximos anos prometem ser decisivos para a forma como os investidores encaram esta classe de ativos.

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Fonte: Sapo

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