A recente operação norte-americana que culminou na captura do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, gerou uma onda de preocupação entre os madeirenses que residem naquele país sul-americano. Ana Cristina Monteiro e Lídia Albornoz, líderes de associações que representam a comunidade de imigrantes venezuelanos na Madeira, partilharam as suas inquietações com o Jornal Económico.
Estima-se que cerca de 1,2 milhões de portugueses e luso-descendentes vivam na Venezuela, sendo que 80% deles têm raízes na Região Autónoma da Madeira. Ana Cristina Monteiro, da Associação da Comunidade de Imigrantes Venezuelanos na Madeira (Venecom), revelou que a comunidade madeirense está “preocupada” com os desdobramentos da situação política. “Estamos expectantes sobre o que poderá acontecer a seguir”, afirmou.
Lídia Albornoz, da Associação Comando com Venezuela, também expressou a sua apreensão. “A cada dia que passa, a comunidade fica mais ansiosa”, disse, sublinhando que a situação afeta não apenas os madeirenses, mas também os venezuelanos em geral. Monteiro acrescentou que a comunidade madeirense na Venezuela está “muito enraizada” no tecido social e económico do país, destacando a importância do comércio português na região.
Com a saída de Maduro, Delcy Rodríguez assumiu a presidência interina. Ana Cristina Monteiro considera que Rodríguez é uma figura central no regime de Maduro e questiona a sua capacidade de promover a democracia na Venezuela. “Estou preocupada com o facto de ela ser parte do regime que continua a estar instalado”, frisou.
Por sua vez, Lídia Albornoz não hesitou em classificar Delcy Rodríguez como “ainda pior” do que Maduro. “Ela é cúmplice da situação atual e não tem legitimidade para estar no poder”, afirmou. Albornoz teme que a situação na Venezuela se agrave sob a liderança de Rodríguez e defende que um processo de transição deve ser rápido e pacífico, com a liderança a ser entregue a quem foi eleito pelo povo, como Edmundo González Urrutia.
Apesar das dificuldades, ambas as líderes acreditam que a Venezuela pode ser recuperada. Ana Cristina Monteiro destacou a importância do papel dos Estados Unidos, que devem atuar como observadores e oferecer recomendações, sem interferir diretamente nas decisões do país.
A comunidade madeirense na Venezuela continua a viver momentos de incerteza, mas mantém a esperança de que um futuro democrático seja possível. “Se seguirmos os passos corretos, podemos alcançar um final feliz”, concluiu Monteiro.
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Fonte: Sapo





