O início de 2026 trouxe consigo uma onda de tensões internacionais que não pode ser ignorada. Logo no terceiro dia do ano, o mundo assistiu a uma invasão, seguida de ameaças a outros países e à confirmação de que o direito internacional parece ter perdido a sua relevância. As alianças que antes serviam para proteger os mais fracos agora parecem apenas reforçar a obediência dos vulneráveis perante os poderosos.
Um dos episódios mais chocantes ocorreu quando uma cidadã norte-americana, Renée Nicole Good, foi morta por um agente que disparou três vezes contra ela, enquanto a vítima se preparava para se afastar de uma manifestação. A Secretária de Estado, Kristi Noem, classificou a ação de Good como “terrorismo doméstico”, desvirtuando a realidade do que realmente aconteceu. Este trágico evento, que deveria ser tratado com seriedade, foi rapidamente transformado em uma narrativa de Estado, onde a verdade é distorcida.
Donald Trump, em sua habitual retórica, afirmou que era difícil acreditar que o agente tivesse sobrevivido ao incidente, ignorando completamente as evidências. Este tipo de comportamento é um sinal preocupante de um regime que se afasta da lógica e do bom senso. O direito a uma análise crítica e fundamentada da realidade está a ser sistematicamente usurpado, o que levanta questões sobre a saúde do regime político nos Estados Unidos.
Além disso, a administração Trump tem se comportado como um império global, fazendo declarações que lembram os ultimatos do império britânico do século XIX. A ameaça de domínio sobre a Gronelândia e as ações contra a Venezuela são exemplos claros de uma política externa agressiva que ignora a soberania dos países. As consequências dessas ações podem ser devastadoras, não apenas para os países diretamente envolvidos, mas para a estabilidade global.
As ameaças não se limitam apenas à Venezuela. A Colômbia, Cuba e até mesmo o Canadá têm sido alvo de retórica agressiva. Neste contexto, a segurança de regiões como os Açores pode estar em risco, uma vez que a cobiça por recursos e poder se torna cada vez mais evidente. A nova abordagem da administração Trump revela uma disposição para ignorar as normas internacionais e agir de acordo com a sua própria vontade, o que é alarmante.
O governo português, por sua vez, parece hesitante em criticar abertamente as ações de Trump. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, utilizou expressões que conferem uma aparência de legitimidade a ações questionáveis, como as da Venezuela. Essa falta de uma posição firme pode ser vista como uma conivência com um regime que desafia as normas internacionais.
A situação atual é um reflexo de um regime que avança em direção ao absolutismo, onde a verdade é manipulada e as instituições internacionais são desvalorizadas. A realidade tornou-se tão distorcida que muitos se questionam se o que observamos é realmente factual. A imunidade de Trump em relação à lei e à verdade é um sinal de que estamos a viver tempos de aflição, onde a política se torna um jogo de poder sem respeito pelas normas estabelecidas.
À medida que Portugal se prepara para eleger o seu próximo presidente, é crucial refletir sobre o estado atual do mundo e o impacto que as tensões internacionais podem ter no nosso futuro. A arte e a cultura, como a peça de Tiago Rodrigues, podem servir como um espelho da realidade, lembrando-nos da importância de manter a vigilância e a crítica em tempos de crise.
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tensões internacionais tensões internacionais Nota: análise relacionada com tensões internacionais.
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Fonte: Sapo





