O presidente da Confederação dos Agricultores Portugueses (CAP), Álvaro Mendonça e Moura, classificou a proposta da Comissão Europeia para a Política Agrícola Comum (PAC) como “a pior que alguma vez foi apresentada”. Durante uma conferência de imprensa em Beja, o líder da CAP alertou que esta reforma da PAC coloca os agricultores portugueses em desvantagem face a outros países da União Europeia.
De acordo com Mendonça e Moura, a proposta prevê um corte de 20% no orçamento destinado à agricultura. Em contrapartida, sugere que “os governos nacionais” possam reforçar as verbas para o setor. “Isso não é aceitável para nós, porque cria uma enorme incerteza e coloca os agricultores portugueses, gregos ou italianos em condições de desvantagem em relação a países mais ricos, como a Alemanha ou a França”, afirmou.
O presidente da CAP expressou a sua perplexidade face a uma proposta que, num orçamento que cresce 40%, reduz os fundos para a agricultura. “O que vai acontecer é que o Governo alemão ou sueco têm dinheiro para acrescentar a esse fundo, mas o Governo português não tem verbas para completar da mesma forma que o alemão ou o francês”, sublinhou.
Mendonça e Moura alertou que esta nova proposta poderá levar a uma fragmentação das políticas agrícolas na Europa, resultando em apoios muito diferentes para agricultores de diferentes países. “Portanto, mata-se a Política Agrícola Comum”, assegurou, destacando que esta situação é “perigosa para a União Europeia”, uma vez que a PAC é a única política verdadeiramente comum da UE.
O presidente da CAP enfatizou que a aprovação desta proposta poderia desfazer o que foi construído ao longo dos anos e comprometer a própria ideia de Europa. “Somos contra por causa da questão agrícola, mas também porque isto afeta diretamente a noção da UE”, afirmou.
Mendonça e Moura exigiu que o Governo português manifeste claramente a sua oposição a esta proposta e que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, leve esta posição a Bruxelas. “O orçamento da UE é negociado pelos ministros dos Negócios Estrangeiros e pelo primeiro-ministro, e é a eles que compete assumir uma posição muito clara”, concluiu.
A CAP destaca que não há dúvidas entre as organizações de agricultores, tanto nacionais como estrangeiras, sobre a necessidade de contestar esta reforma da PAC. “Estamos todos na mesma linha”, garantiu o presidente.
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Fonte: Sapo





