Lena foi a única empresa a querer construir casas na Venezuela

No âmbito do julgamento da Operação Marquês, Vítor Escária, ex-assessor económico do antigo primeiro-ministro José Sócrates, revelou em tribunal que a empresa Lena foi a única a mostrar interesse, em 2009, na construção de casas sociais na Venezuela. Esta declaração foi feita durante a sua inquirição como testemunha no processo que decorre em Lisboa.

Escária recordou que o interesse por parte do Estado venezuelano em que empresas portuguesas construíssem milhares de habitações sociais surgiu na sequência de consultas feitas pelo Governo português a quatro empresas que faziam parte de “comissões mistas” entre os dois países. As empresas em questão eram a Mota-Engil, Teixeira Duarte, Edifer e Lena. Segundo o ex-assessor, apenas a Lena respondeu afirmativamente ao convite, enquanto as outras três optaram por se dedicar a outros projetos.

O Ministério Público acusa o grupo Lena de ter pago cerca de 2,4 milhões de euros a José Sócrates para garantir um tratamento privilegiado no concurso para a construção de habitação social na Venezuela. O ex-primeiro-ministro negou estas alegações desde o início do julgamento. Além disso, Sócrates é suspeito de ter recebido compensações financeiras para fazer lobbying em favor da Lena em projetos de construção na Argélia, após ter deixado o cargo.

António Gamito, à data embaixador de Portugal na Argélia, também prestou declarações no tribunal. Ele confirmou ter recebido um telefonema de Sócrates em 2014, solicitando a facilitação de uma reunião entre um ministro argelino e representantes do grupo Lena. Gamito considerou o pedido “absolutamente normal”, sublinhando que frequentemente recebia contactos semelhantes de ex-membros de outros governos e empresários.

José Sócrates, com 68 anos, enfrenta 22 acusações, incluindo três de corrupção, por alegadamente ter recebido dinheiro para favorecer a Lena, o Grupo Espírito Santo (GES) e o resort Vale do Lobo. O processo envolve 21 arguidos, que, em geral, têm negado as acusações de 117 crimes económico-financeiros que lhes são imputados. Os crimes terão ocorrido entre 2005 e 2014, e alguns deles poderão prescrever no primeiro semestre deste ano, conforme indicado pelo tribunal.

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O julgamento da Operação Marquês, que começou a 3 de julho de 2025, continua a atrair a atenção pública, dado o seu impacto na política e na economia nacional. Leia também: Operação Marquês: O que está em jogo para a política portuguesa?

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Fonte: ECO

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