O presidente do Conselho Europeu, António Costa, manifestou-se hoje em defesa do acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, afirmando que as críticas de alguns setores agrícolas na Europa se baseiam em perceções erradas. As declarações foram feitas durante uma conferência de imprensa no Rio de Janeiro, onde Costa se preparava para a assinatura do acordo, que é considerado um marco nas relações comerciais entre a Europa e a América do Sul.
“Esse debate na Europa assenta numa perceção totalmente errada daquilo que está previsto no acordo”, afirmou António Costa, sublinhando que todos os estudos disponíveis demonstram o impacto positivo do acordo na economia dos países europeus. O presidente do Conselho Europeu destacou que, mesmo nos setores agrícolas mais afetados, como a carne de boi, o açúcar, o frango e alguns produtos lácteos, as cotas estabelecidas são bastante limitadas, variando entre 1,4% e 1,6% da produção europeia.
“Essa concorrência vai existir, mas é uma concorrência que está muito limitada”, defendeu Costa, enfatizando que a concorrência é uma parte essencial da vida económica. O ex-primeiro-ministro também recordou que o acordo garante o reconhecimento de centenas de denominações de origem de produtos europeus, como queijos, vinhos e azeite, que são de grande valor em países como França, um dos críticos do acordo.
António Costa afirmou que a ideia de que todos os agricultores estão contra o acordo não é correta. “Num acordo comercial deste tamanho, é evidente que, nuns casos, é melhor para uns, noutros casos, é melhor para outros”, explicou. O presidente do Conselho Europeu considerou que a assinatura do acordo, que começou a ser negociado há 25 anos, será um dia histórico, pois representa o maior acordo comercial do mundo.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também esteve presente no evento e destacou a importância do acordo, que “envia uma mensagem poderosa” de boas-vindas ao maior mercado do mundo. Durante a sua intervenção, von der Leyen frisou que o acordo representa a força da amizade e da compreensão entre povos separados por oceanos, criando assim uma prosperidade partilhada.
A assinatura do acordo entre a UE e os quatro países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) só foi possível após a obtenção de uma maioria qualificada entre os 27 Estados-membros da União Europeia, apesar das objeções de países como França, Polónia, Áustria, Irlanda e Hungria. Para alcançar essa maioria, foram negociadas salvaguardas adicionais para os agricultores europeus, que continuaram a manifestar-se contra o acordo.
Com a implementação do acordo, 91% das exportações da UE para o Mercosul e 92% das vendas sul-americanas para a Europa ficarão isentas de tarifas, abrindo um mercado conjunto de mais de 700 milhões de consumidores e um PIB combinado de aproximadamente 22 biliões de dólares.
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Fonte: Sapo





