Uma campanha de angariação de fundos lançada por jornalistas da revista Visão conseguiu arrecadar cerca de 200 mil euros, valor que corresponde ao objetivo inicial da iniciativa. Este montante foi conseguido através de uma ação de crowdfunding que contou com o apoio de leitores e figuras públicas. Alexandra Correia, subdiretora da revista e uma das 12 jornalistas que continuam a trabalhar na publicação, expressou à agência Lusa a sua surpresa e satisfação com a adesão à campanha. “É impressionante e dá-nos muita força”, afirmou.
O dinheiro angariado destina-se exclusivamente a concorrer no leilão do título da Visão, que está previsto para março. “Estamos focados em ficar com a Visão”, sublinhou Alexandra, destacando que a revista não existiria sem os seus jornalistas. O grupo de 12 profissionais que mantém a revista em funcionamento será o núcleo da nova sociedade que será criada para participar no leilão.
Atualmente, a revista é produzida por este grupo, que utiliza os proveitos das vendas para cobrir despesas como impressão e licenças de software. Contudo, os salários têm sido pagos de forma fracionada e com atrasos significativos, devido à situação financeira da empresa.
Num comunicado nas redes sociais, os jornalistas da Visão revelaram que, em menos de dez dias, conseguiram atingir o valor de 200 mil euros, um feito que muitos consideravam impossível. “Este resultado demonstra que a Visão tem uma comunidade de leitores relevante, ativa e solidária”, afirmaram, reforçando a importância de lutar por uma imprensa livre e independente em Portugal.
Apesar do leilão estar agendado para março, os jornalistas decidiram manter a campanha de angariação aberta, uma vez que muitos continuam a manifestar interesse em apoiar a Visão. “Precisamos de estar preparados para apresentar uma proposta sólida e vencedora”, explicaram, referindo que o investimento é crucial para o arranque da nova fase da revista.
Os jornalistas têm um plano de negócios que prevê uma estrutura inicial reduzida, mas com a intenção de expandir a redação e retomar publicações como a Visão História e a Visão Saúde, que têm um público fiel. A assembleia de credores da Trust in News, que detinha a Visão, aprovou a cessação da atividade da empresa, mas também um requerimento para garantir a produção da revista até à sua venda.
A Trust in News, fundada em 2017, era responsável por 16 órgãos de comunicação social, incluindo títulos conhecidos como Exame e Caras. A luta pela Visão é, assim, uma batalha pela continuidade de uma imprensa que se quer livre e de qualidade.
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Fonte: Sapo





