Um estudo recente da Oxfam revela que as doze pessoas mais ricas do mundo possuem uma fortuna superior à de metade da população global, ou seja, mais de quatro mil milhões de pessoas. A riqueza acumulada por estes multimilionários cresceu mais de 16% em 2025, atingindo um impressionante total de 15,7 biliões de euros, o que representa o nível mais elevado da história.
O relatório da Oxfam, divulgado no início do Fórum Económico Mundial em Davos, destaca que a riqueza conjunta dos multimilionários aumentou em 2,1 biliões de euros no último ano. Este valor é alarmante, pois seria suficiente para erradicar a pobreza extrema em 26 ocasiões. O número de multimilionários ultrapassou os 3.000 pela primeira vez, com Elon Musk a destacar-se como o mais rico, alcançando uma fortuna pessoal superior a meio bilião de dólares.
A análise da Oxfam revela que a riqueza dos multimilionários é tão vasta que permitiria distribuir 250 dólares (cerca de 214 euros) a cada pessoa no mundo, mantendo ainda uma reserva de 430 mil milhões de euros para os mais ricos. Desde 2020, a riqueza dos multimilionários aumentou 81%, enquanto uma em cada quatro pessoas no mundo enfrenta dificuldades para se alimentar regularmente e quase metade da população vive na pobreza.
O relatório, intitulado “Resistir ao Domínio dos Ricos: Proteger a Liberdade do Poder dos Bilionários”, examina como os super-ricos estão a moldar o poder político em benefício próprio, frequentemente à custa dos direitos e liberdades da população. A Oxfam critica a administração de Donald Trump nos Estados Unidos, que, segundo a organização, favoreceu os interesses dos multimilionários através de cortes fiscais e políticas que beneficiam as grandes empresas.
Além disso, a Oxfam apela a que os governos implementem planos nacionais para reduzir a desigualdade, propondo a tributação dos super-ricos como uma solução viável. A organização defende a criação de impostos sobre o rendimento e o património, com taxas suficientemente elevadas para combater as desigualdades crescentes.
Os dados revelam que os multimilionários têm 4.000 vezes mais probabilidades de ocupar cargos políticos do que os cidadãos comuns, o que agrava ainda mais a desigualdade. A Oxfam alerta que a crescente desigualdade económica e política pode levar à erosão dos direitos e da segurança das pessoas.
O relatório também destaca a influência desproporcional que os multimilionários exercem sobre os meios de comunicação, alertando que mais de metade das maiores empresas de media do mundo estão nas suas mãos. Este domínio pode comprometer a liberdade de expressão e a diversidade de opiniões, aprofundando ainda mais a desigualdade social.
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Fonte: ECO





