O mercado europeu de gás natural assistiu a um aumento significativo nos preços, que passaram de menos de 30 euros para quase 40 euros por MWh. Esta subida acentuada foi impulsionada por preocupações com a escassez de oferta, especialmente devido ao frio intenso no início do ano e a interrupções temporárias nos terminais de exportação dos Estados Unidos. No entanto, a análise de Norbert Rücker, responsável pela área de Economia e Pesquisa do Julius Baer, sugere que esta tendência pode ser temporária.
O Julius Baer adota uma perspetiva cautelosa, prevendo que os preços do gás natural voltem a descer para menos de 30 euros em breve. Os fundamentos do mercado, como o fornecimento robusto de gás natural liquefeito (GNL) e a crescente capacidade de energia solar, continuam a ser sólidos. Rücker explica que, apesar do aumento recente, os níveis de armazenamento de gás natural na Europa estão abaixo da média, mas não houve uma diminuição significativa desde o início da época de aquecimento.
O analista sublinha que, com as interrupções nos terminais de exportação dos EUA a serem resolvidas, a Europa deverá conseguir atrair importações suficientes para manter os seus estoques. “A intensidade do aumento dos preços nos últimos dias reflete uma onda de realização de lucros no mercado de futuros, uma vez que o sentimento anterior era bastante pessimista”, afirma Rücker.
Embora o aumento dos preços não esteja diretamente relacionado com questões geopolíticas, como a situação na Venezuela ou no Irão, as preocupações com a escassez de oferta estão a crescer. Os estoques de gás natural na Europa, especialmente na Alemanha e em França, estavam abaixo da média no início da época de aquecimento, e o frio intenso agravou essa situação.
Apesar disso, a tendência sazonal de queda dos estoques mantém-se dentro da normalidade e não indica um aperto significativo. Rücker acrescenta que os estoques continuam a ser geralmente abundantes na Europa, o que deverá ajudar a colmatar o défice na Alemanha e em França.
As interrupções nos terminais de GNL dos EUA, que inicialmente aumentaram as preocupações na Europa, foram em grande parte revertidas. “Não identificamos riscos significativos de abastecimento para a Europa. Os preços elevados de hoje estão a acelerar o equilíbrio do mercado, atraindo mais importações marítimas e restringindo a geração de energia a gás natural”, destaca Rücker.
A expansão da capacidade das centrais solares nos últimos anos está a reduzir a procura de gás natural, especialmente com a chegada da primavera, o que encurta o período de declínio dos estoques durante o inverno. O analista do Julius Baer conclui que o panorama geral permanece inalterado, com o fornecimento de gás natural por via marítima a ser robusto, prevendo-se que novos terminais de exportação entrem em funcionamento ainda este ano.
“É importante observar que o clima de inverno continua a ser uma incógnita. A intensidade do pico de preço sugere que os fluxos dominam os fundamentais. A pressão do GNL sobre os preços deverá continuar nos próximos meses”, finaliza Rücker.
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Fonte: Sapo





