A dívida da Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) registou um aumento de 0,5% nos últimos três meses, totalizando 5.921 milhões de meticais, o equivalente a 79 milhões de euros, até setembro. Este crescimento é atribuído a atrasos nos pagamentos, conforme revelam os dados do Ministério das Finanças de Moçambique.
Entre o segundo e o terceiro trimestre, o saldo da dívida interna da LAM aumentou em 32,78 milhões de meticais, ou seja, cerca de 437,8 mil euros. Este aumento contrasta com a redução de 2,4% observada no trimestre anterior. A situação financeira da LAM tem gerado preocupações, uma vez que a companhia enfrenta dificuldades operacionais e financeiras.
Para gerir a dívida acumulada, o Governo moçambicano decidiu permitir que a LAM pague a sua dívida em prestações anuais, com o Estado a garantir esses pagamentos junto dos bancos comerciais. Esta resolução foi aprovada em 2 de setembro pelo Conselho de Ministros, embora não tenha sido divulgada a quantia exata a ser paga.
Além disso, o Governo autorizou o Instituto de Gestão das Participações do Estado (Igepe) a criar um veículo de propósito específico para a gestão e liquidação da dívida da LAM. Este veículo será detido por várias entidades, incluindo a Hidroelétrica de Cahora Bassa e os Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique, com o objetivo de garantir financiamento para a transportadora aérea.
A LAM, que suspendeu os voos internacionais há quase um ano, tem concentrado a sua operação em ligações internas. A companhia passou por uma mudança de administração em maio, com a entrada de novos acionistas, como a HCB e a CFM. Para resolver os problemas frequentes de cancelamento de voos, a LAM tem investido na aquisição e aluguer de novas aeronaves, incluindo um Airbus A319 que chegou a Maputo em dezembro.
Os prejuízos da LAM dispararam para 3.977 milhões de meticais, cerca de 53,5 milhões de euros, em 2023. Para fazer face a esta situação, o Estado teve de injetar mil milhões de meticais, aproximadamente 13,7 milhões de euros, e emitir uma carta conforto para 2024. Em 2022, a companhia já tinha registado prejuízos de 448,6 milhões de meticais.
Apesar dos desafios financeiros, a venda de serviços da LAM cresceu 4% em 2023, alcançando 8.813 milhões de meticais, ou 118,7 milhões de euros. O relatório financeiro indica que o acionista maioritário está comprometido em fornecer os recursos necessários para que a companhia cumpra as suas obrigações.
A LAM enfrenta uma situação delicada, com um capital próprio negativo de 19.670 milhões de meticais, o que levanta questões sobre a sua continuidade. O conselho de administração tem solicitado apoio aos acionistas e proposto medidas para garantir a sustentabilidade da empresa. A situação da dívida da LAM continua a ser um tema importante a acompanhar.
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Fonte: Sapo





