Bancos e fornecedores perdoam 18 milhões para salvar Gato Preto

A cadeia de lojas Gato Preto está a atravessar uma grave crise financeira e precisa de um perdão de cerca de 18 milhões de euros, o que representa uma redução de 80% da dívida, para evitar o encerramento de várias lojas. A empresa, que se prepara para fechar dez das suas 15 lojas em Portugal e encerrar a sua atividade em Espanha, apresentou um plano de recuperação ao tribunal na semana passada.

Em 2025, o Gato Preto registou prejuízos de 11 milhões de euros, resultado de uma combinação de fatores, incluindo os impactos da pandemia de Covid-19 e o incidente global do navio Ever Given no Canal do Suez, que causou rupturas no fornecimento e aumentou os custos de transporte. Além disso, a empresa enfrenta a concorrência de produtos chineses vendidos a preços mais baixos em plataformas como a Temu.

As vendas da Gato Preto caíram drasticamente, passando de 40 milhões de euros para menos de 20 milhões, o que tornou insustentável a manutenção da estrutura da empresa. Apesar dos esforços do acionista, o Grupo Aquinos, que irá assumir uma perda de 26 milhões de euros, a situação financeira continua a ser crítica.

O plano de reestruturação prevê o encerramento de lojas menos rentáveis, com a empresa a concentrar-se na venda online, que tem mostrado resultados promissores. As lojas que irão fechar incluem locais em Lisboa, Oeiras, Matosinhos e Coimbra, afetando dezenas de trabalhadores. A Gato Preto estima que terá de pagar 900 mil euros em indemnizações aos colaboradores afetados, sendo que o valor será coberto pela venda de um armazém.

No que diz respeito aos credores, os bancos estão a ser chamados a perdoar 9,5 milhões de euros dos 12,2 milhões que a Gato Preto lhes deve. O plano prevê que a empresa pague os restantes 20% da dívida em cinco anos. Entre os maiores credores estão o Novobanco, BPI, Caixa Geral de Depósitos e BBVA.

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Os fornecedores também terão de aceitar um perdão significativo, recuperando apenas cerca de dois milhões de euros de uma dívida total de quase dez milhões. A empresa reconhece o esforço que está a pedir aos credores, mas sublinha que a alternativa seria uma liquidação, onde os credores poderiam recuperar apenas 2% a 3% dos seus créditos.

O plano de recuperação ainda precisa da aprovação dos credores, sendo que o Grupo Aquinos detém mais de 50% dos direitos de voto. A Gato Preto espera que a reestruturação permita a sua sobrevivência e a continuidade do negócio, que celebra 40 anos em 2026.

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Fonte: ECO

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