Um novo relatório do EDULOG, think tank da Fundação Belmiro de Azevedo, revela que a localização geográfica e as condições socioeconómicas desempenham um papel crucial no acesso ao Ensino Superior em Portugal. O estudo, coordenado por Pedro Luís Silva e divulgado a 28 de janeiro, analisa as desigualdades regionais e a mobilidade dos estudantes, destacando como estas variáveis influenciam as decisões de candidatura.
Uma das principais conclusões do relatório é que a presença ou ausência de instituições de ensino superior nas localidades de origem dos estudantes condiciona significativamente as suas escolhas. A distância é apontada como um dos fatores mais penalizadores, especialmente para aqueles que concluíram cursos científico-humanísticos. Por outro lado, os alunos de cursos profissionais tendem a optar por instituições mais próximas, refletindo uma mobilidade mais reduzida.
As perspetivas salariais e o custo de vida nas áreas onde se situam as instituições de ensino superior têm um impacto direto nas decisões dos estudantes. Nas áreas metropolitanas, onde a oferta é mais diversificada, os estudantes mostram-se mais sensíveis à distância. Em contraste, nas regiões do interior, muitos alunos são forçados a percorrer longas distâncias devido à escassez de alternativas locais.
O estudo também revela que universidades de grande dimensão e especializadas em áreas específicas conseguem atrair estudantes de fora da sua região. Em contrapartida, os institutos politécnicos continuam a ser vistos como opções de proximidade. Este cenário evidencia um desafio nacional: garantir que a origem geográfica não limite o acesso ao ensino superior e promover uma maior eficiência do sistema, reduzindo custos e o risco de abandono escolar.
Particularmente na área da Medicina, as condições socioeconómicas têm um peso ainda mais significativo. Apenas 2% dos diplomados do secundário que prosseguem para o ensino superior escolhem Medicina, um reflexo da elevada seletividade e da concentração institucional nesta área. O estudo indica que um aumento de 10% na distância entre o município de origem e a instituição de ensino resulta numa queda de 1,5% nos fluxos de entrada, evidenciando que a atratividade da Medicina leva os estudantes a aceitarem maiores custos de deslocação.
Os investigadores sublinham que a mobilidade dos estudantes continua a estar fortemente ligada às condições socioeconómicas das famílias e ao local onde residem. A distância continua a ser um obstáculo significativo, e em muitas regiões, estudar fora é financeiramente inviável. Alberto Amaral, membro do conselho consultivo do EDULOG, sintetiza que as políticas públicas devem ser reforçadas para reduzir as barreiras territoriais e evitar que a diferenciação institucional aprofunde as desigualdades.
Para enfrentar estas desigualdades, o estudo sugere a implementação de apoios à mobilidade e o fortalecimento do ensino superior em áreas estratégicas, como saúde e tecnologia. Além disso, é fundamental monitorizar as desigualdades no acesso ao ensino superior, considerando o background escolar dos alunos e reforçando os mecanismos de ação social escolar.
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acesso ao Ensino Superior acesso ao Ensino Superior Nota: análise relacionada com acesso ao Ensino Superior.
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Fonte: Sapo





