Custos da depressão Kristin superam quatro mil milhões de euros

O ministro da Economia e da Coesão Territorial, Castro Almeida, revelou que os custos estimados dos danos causados pela depressão Kristin poderão ultrapassar os quatro mil milhões de euros. Esta estimativa, considerada “muito preliminar”, representa o dobro do valor inicialmente avançado há dois dias. Castro Almeida sublinhou que este montante não inclui os custos indiretos que a tempestade poderá provocar.

O impacto da depressão Kristin na economia será significativo. O ministro exemplificou que empresas localizadas fora da área afetada também sentirão as consequências, uma vez que a interrupção de produção em uma fábrica pode afetar toda a cadeia de fornecimento. “Do ponto de vista da economia, vai ser um abalo muito relevante”, afirmou, reconhecendo que as exportações também serão afetadas. No entanto, destacou a resiliência dos empresários, que estão determinados a cumprir as suas obrigações e evitar a substituição por outros fornecedores.

A reconstrução das fábricas danificadas será um processo demorado. Castro Almeida alertou que algumas delas poderão levar meses a reabrir, e muitos trabalhadores poderão ficar sem emprego temporariamente. Para mitigar este impacto, o governo implementará um regime de layoff simplificado, que garantirá aos trabalhadores uma remuneração mensal líquida igual à que recebiam antes da tempestade, até um limite de três salários mínimos.

O ministro reconheceu que as suas declarações anteriores, que sugeriam que as vítimas usassem os seus ordenados para cobrir necessidades imediatas, foram “infelizes”. Ele pediu compreensão, afirmando que os apoios do Estado chegarão antes do final de fevereiro. As empresas também poderão aceder a linhas de crédito para enfrentar a situação, com um total de 1,5 mil milhões de euros disponíveis para tesouraria e investimento.

Castro Almeida referiu que a maior parte dos custos será suportada pelas seguradoras, uma vez que o seguro é obrigatório. As empresas que não incluíram a tempestade nas suas apólices poderão enfrentar dificuldades. O governo declarou situação de calamidade em cerca de 70 concelhos, o que não pode ser usado como cláusula de exclusão pelas seguradoras.

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Para os cidadãos afetados, o governo disponibilizou um apoio de dez mil euros a fundo perdido para a reconstrução das suas casas. As candidaturas podem ser feitas através da plataforma do governo, embora o ministro reconheça que este valor pode ser insuficiente, assumindo que a maioria das pessoas possui seguros.

Além disso, Castro Almeida expressou preocupação com a falta de mão-de-obra na reconstrução, mas acredita que a situação se resolverá rapidamente. O governo está a trabalhar com associações do sector para facilitar o recrutamento de trabalhadores estrangeiros.

O impacto da depressão Kristin também se fará sentir nas obras financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), com atrasos inevitáveis. No entanto, o ministro garantiu que todas as obras serão concluídas, mesmo que fora dos prazos estabelecidos, e que não se perderá nenhum euro das subvenções do PRR.

Castro Almeida concluiu que o governo está a dialogar com a Comissão Europeia para encontrar soluções criativas para enfrentar esta crise, incluindo a reorientação de recursos do PRR para resolver problemas de comunicação nas freguesias afetadas.

Leia também: O impacto da tempestade na economia nacional.

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Fonte: ECO

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