A resiliência territorial em Portugal enfrenta desafios significativos, exacerbados pela falta de uma cultura de planeamento. A postura individualista dos cidadãos, muitas vezes expressa no orgulho do “desenrascanço”, tem permitido que falhas graves na atuação dos poderes públicos sejam desculpadas. Este cenário é especialmente preocupante quando se considera a resposta a emergências, que tem deixado muitas populações sem o apoio necessário.
Recentemente, o país tem sido fustigado por uma série de depressões meteorológicas que evidenciam a falta de preparação. As declarações da responsável pela Administração Interna, que mencionou que “estamos em aprendizagem coletiva” e questionou “plano, qual plano?”, ilustram a descoordenação e a impreparação do Estado para lidar com situações de crise. A incapacidade de resposta às populações afetadas é um reflexo direto da ausência de um planeamento eficaz.
As alterações climáticas, impulsionadas pelo aumento das emissões de gases com efeito de estufa, têm contribuído para fenómenos extremos, como cheias e deslizamentos de terras. A diminuição das calotes polares e a consequente acumulação de energia nos oceanos intensificam esses eventos, tornando essencial um adequado ordenamento do território. A resiliência territorial deve ser uma prioridade, especialmente em áreas vulneráveis, como as zonas ribeirinhas.
Experiências anteriores, como as cheias de 1967 em Lisboa, que resultaram em milhares de mortos e destruição de habitações, mostram a necessidade de um planeamento eficaz. No entanto, a discussão sobre a gestão do território e a preparação para fenómenos climáticos extremos tem sido menos visível. É fundamental que se estabeleçam estratégias que integrem diferentes setores, como exemplificado pelo modelo de planeamento de emergência do Reino Unido, que é centralizado no Gabinete do Primeiro-Ministro.
A integração e coordenação de recursos são cruciais para a resiliência do território. Os mesmos dispositivos de socorro podem ser utilizados em diferentes contextos, desde acidentes a desastres naturais. A chave está na capacidade de resposta integrada, que deve ser acompanhada de planos de gestão e manutenção de infraestruturas urbanas. A preparação prévia e a comunicação clara antes, durante e após os eventos climáticos são igualmente essenciais.
Infelizmente, a gestão dos eventos climáticos extremos que têm afetado Portugal tem falhado em muitos aspetos. Para garantir a resiliência territorial, é imprescindível que se invista em planeamento e que se promova uma cultura de prevenção e resposta eficaz. Leia também: A importância do planeamento urbano na mitigação de desastres.
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Fonte: Sapo





