O Governo português iniciou as reuniões com os partidos para discutir a proposta do Orçamento do Estado para 2026 (OE2026). A primeira reunião foi com o Chega, que, após ter votado contra a proposta do OE do ano passado, reivindica agora o estatuto de segundo maior partido da oposição. O Chega quer ser o parceiro preferencial nas negociações com o Executivo, destacando que os resultados das eleições de 18 de maio lhe conferem esse direito.
A vice-presidente da bancada do Chega, Rita Matias, afirmou que o partido está disponível para colaborar e que existem “condições favoráveis” para aprovar o Orçamento. No entanto, Matias sublinhou que o Chega não aceita “ziguezagues” por parte do Governo, exigindo uma redução da carga fiscal e um aumento permanente das pensões como condições para o apoio ao OE2026. Além disso, o partido pediu que as reuniões sejam públicas, evitando negociações à porta fechada, como aconteceu anteriormente.
Em resposta, o ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, afirmou que o Governo irá negociar com todos os grupos parlamentares, sem estabelecer “lógicas de preferência”. O ministro também comentou que, apesar de um parlamento com uma maioria de direita, não se espera que as negociações sejam mais fáceis ou difíceis do que no ano anterior.
O primeiro-ministro, por sua vez, já alertou os partidos para que não apresentem “ultimatos ou linhas vermelhas” nas negociações do OE2026. André Ventura, presidente do Chega, reiterou que este ano existem “condições mais favoráveis” para chegar a consensos, mas deixou claro que a atitude do Governo será determinante para o sucesso das negociações.
Rita Matias também mencionou que o Governo expressou preocupação em relação à execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que depende de transferências e empréstimos do Estado, representando cerca de 1% do PIB. Apesar disso, o Executivo prevê terminar o ano com um superavit orçamental, embora o Chega considere que o saldo será escasso.
O partido Livre, por outro lado, criticou a parceria do Governo com o Chega, afirmando que o país precisa de uma verdadeira pluralidade no Parlamento. O co-porta-voz do Livre, Rui Tavares, destacou que a taxa de crescimento da economia deverá rondar os 2%, uma revisão em baixa em relação às previsões anteriores.
Com a data-limite para a entrega do OE2026 a aproximar-se, as reuniões entre o Governo e os partidos continuarão nas próximas semanas. O Chega, ao afirmar que está “atento” e “disponível para dialogar”, espera que o Executivo não repita os erros do passado e que as negociações sejam transparentes e produtivas.
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Fonte: Sapo





