Portugal é o segundo país da União Europeia com a maior subida nos preços da habitação desde 2020, com um aumento de 24,1%. Este dado, revelado pela Pordata, coloca o país apenas atrás da Grécia, que registou uma subida de 29%. Apesar de o custo de vida em Portugal ser inferior à média europeia, o poder de compra da população é um dos mais baixos da UE, ocupando o sexto lugar entre os 27 Estados-membros.
Os dados da Pordata, apresentados numa nova plataforma interativa, mostram que, em 2023, o rendimento médio anual em Portugal é de 1.053,9 euros, o que permite adquirir apenas 11 cabazes de bens essenciais. Em comparação, um luxemburguês com o seu rendimento médio consegue comprar 24 cabazes. Esta discrepância evidencia a fragilidade do poder de compra em Portugal, que, embora tenha um custo de vida acessível, não se traduz em capacidade financeira para os seus cidadãos.
Além de ser um dos países com menor poder de compra, Portugal também enfrenta desafios em termos de produtividade. Em 2024, cada trabalhador contribuiu com cerca de 47,7 mil euros para o Produto Interno Bruto (PIB), um valor significativamente inferior ao da Irlanda, onde a contribuição média é de 194,4 mil euros. Apesar disso, Portugal apresenta um crescimento económico notável, com um aumento do PIB per capita de 40% em valor nominal entre 2020 e 2024, posicionando-se como o sexto maior crescimento na UE.
A situação climática de Portugal também é digna de nota. O país é o terceiro na Europa com menores emissões de gases com efeito de estufa, com 4,8 toneladas por habitante. No entanto, a taxa de reciclagem de resíduos urbanos é de apenas 30,7%, muito aquém de países como a Alemanha e a Áustria, que superam os 60%.
A nova plataforma da Pordata, que celebra os 40 anos da adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia, permite uma análise detalhada das estatísticas dos 27 Estados-membros da UE. Além dos dados sobre poder de compra e habitação, a Pordata também revela que Portugal foi o país da UE com maior entrada de imigrantes entre 2012 e 2023, embora a percentagem de população estrangeira ainda seja baixa em comparação com outros países europeus.
Em suma, Portugal enfrenta um cenário complexo, onde a subida dos preços da habitação contrasta com um poder de compra limitado. A análise dos dados da Pordata sublinha a necessidade de políticas que melhorem a capacidade financeira dos cidadãos e promovam um crescimento sustentável. Leia também: A evolução do mercado imobiliário em Portugal.
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Fonte: ECO





