Portugal enfrenta tempestades extremas e inundações recorrentes

Portugal tem sido severamente afetado por uma série de tempestades que trouxeram chuvas intensas e inundações generalizadas. As primeiras semanas do ano foram marcadas por eventos climáticos extremos, que resultaram em estradas fechadas, rios transbordantes e bairros isolados. Este cenário não é apenas uma anomalia, mas sim uma nova realidade que se impõe, onde as alterações climáticas se manifestam de forma preocupante.

As chuvas associadas às tempestades Kristin, Leonardo e Marta provocaram estragos significativos em várias regiões, levando a evacuações e interrupções nos transportes. O Tejo, por exemplo, ultrapassou os seus limites históricos, inundando áreas urbanas e causando perdas humanas e materiais. As consequências são palpáveis: vidas perdidas, casas danificadas e recursos públicos desviados para responder a emergências.

A ciência é clara: a atmosfera mais quente retém mais humidade, intensificando o ciclo hidrológico e aumentando a probabilidade de precipitações extremas. O sul da Europa, incluindo Portugal, tem sido identificado como um ponto crítico, exposto a secas severas e chuvas intensas. Este padrão não é uma mera coincidência, mas sim uma consequência das alterações climáticas que afetam a região.

Dados do Serviço Europeu de Alterações Climáticas Copernicus confirmam que a Europa aqueceu mais do dobro da média global desde a década de 1980. Os últimos anos têm sido dos mais chuvosos na Europa Ocidental e Meridional, com chuvas intensas a ocorrerem em períodos curtos, aumentando o risco de inundações. Em janeiro de 2026, Portugal registou uma precipitação total de cerca de 233 mm, mais do dobro da média habitual, tornando-se um dos meses mais chuvosos desde que há registos.

As imagens de satélite do Copernicus Sentinel-1 mostram a extensão das inundações, revelando áreas onde os níveis de água subiram rapidamente. Os dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) indicam que, em quase 80% das estações de monitorização, a precipitação excedeu o dobro da norma mensal. Este cenário agrava-se com a saturação do solo, onde a água das chuvas não se infiltra, mas escoa, tornando as inundações uma consequência natural e não uma exceção.

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Além disso, a tempestade Kristin trouxe ventos superiores a 150 km/h, complicando ainda mais a situação. Este contexto revela uma vulnerabilidade estrutural no planeamento urbano e territorial de Portugal. O risco de inundações não depende apenas da intensidade das chuvas, mas também das decisões sobre a utilização do solo e dos sistemas de drenagem, que não estão preparados para as novas realidades climáticas.

É imperativo que as alterações climáticas sejam integradas no planeamento urbano e territorial, pois os impactos climáticos não podem ser tratados como meras variáveis ambientais. A forma como gerimos o nosso território deve refletir a nova normalidade das intempéries, garantindo que as comunidades estejam preparadas para enfrentar os desafios que se avizinham.

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Fonte: Sapo

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