Embaixador do Irão critica ataques como desastre humanitário

O embaixador do Irão em Lisboa, Majid Tafreshi, expressou a sua condenação aos recentes ataques militares dos Estados Unidos e de Israel, descrevendo-os como um “desastre para a Humanidade”. Em entrevista à agência Lusa, Tafreshi sublinhou que a atual liderança dos EUA não representa a continuidade da civilização, mas sim o fim de um legado de paz.

O diplomata iraniano afirmou que, apesar da confusão política, os líderes do Irão permanecem firmes e que as manifestações de apoio à soberania do país são um reflexo do sentimento nacional. “A democracia e a liberdade devem ser definidas pelo povo iraniano, não por potências estrangeiras”, disse Tafreshi, lamentando a falta de apoio de alguns países europeus.

Tafreshi defendeu que o Irão está a agir em legítima defesa e não a atacar civis, referindo-se a um incidente trágico numa escola no sul do país, onde morreram jovens raparigas. “O Irão nunca declarou guerra. Estávamos a negociar, mas o lóbi sionista voltou a interferir”, acrescentou.

Questionado sobre as semelhanças entre a situação atual e a narrativa que levou à invasão do Iraque, o embaixador reconheceu que o Irão tem sido utilizado como pretexto. “O Irão não possui armas de destruição maciça. Estamos comprometidos com o Tratado de Não Proliferação Nuclear e a nossa estratégia não envolve a produção de armas nucleares”, afirmou.

Tafreshi criticou a propaganda que rodeia o Irão, recordando que há décadas se fala da possibilidade de o país ter uma bomba atómica, sem que isso se concretize. “É tudo uma questão de desinformação”, frisou.

O embaixador também expressou a sua desilusão com a eficácia das Nações Unidas na resolução de conflitos, afirmando que a humanidade precisa de ser protegida. “Se todos agirem apenas pelos seus interesses, não haverá paz”, disse, referindo que a Rússia e a China pediram uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança da ONU.

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“É necessário um diálogo verdadeiro. A guerra nunca é a solução. Precisamos de proteger as nossas famílias e amigos de decisões erradas”, concluiu Tafreshi, apelando à responsabilidade das nações em respeitar a Carta das Nações Unidas.

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Fonte: Sapo

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