Dina Duarte, diretora-geral da Montiqueijo, partilhou a sua experiência no podcast “E Se Corre Bem?”, onde revelou que ser vaqueira é, para ela, muito mais fácil do que ser gestora. Desde a infância, os animais e a produção de queijo fazem parte da sua vida, e ela não se imagina sem essa realidade. A sua paixão por esta atividade, que é também o negócio da família, moldou não só a sua carreira, mas também a sua identidade.
Desde pequena, Dina ajudava os pais na queijaria. Lembra-se de, com apenas três anos, subir a uma grade para ajudar a fazer queijos. Para ela, trabalhar na queijaria nunca foi uma obrigação, mas sim uma paixão que cresceu naturalmente. “A família começa depois de acabar a empresa”, afirma, sublinhando a importância do negócio familiar na sua vida.
O seu percurso académico foi sempre entrelaçado com a empresa. Antes de ir para a escola, ajudava os pais e, após as aulas, dedicava-se aos trabalhos escolares e à produção de queijos. Apesar de querer estudar gestão, a crescente responsabilidade no negócio fez com que não conseguisse concluir a sua formação. Contudo, Dina acredita que a experiência prática e os ensinamentos que recebeu ao longo da vida foram a sua verdadeira formação.
Hoje, à frente da Montiqueijo, que evoluiu de um pequeno negócio familiar para uma empresa de maior dimensão, Dina mantém a visão de que todos os colaboradores são parte da família. “A Montiqueijo é um projeto de família e assim tratamos todos os que trabalham connosco”, afirma. No entanto, gerir uma empresa familiar traz desafios, especialmente numa área tão exigente como a produção de queijo.
Dina destaca a importância de cuidar do bem-estar dos animais e da sustentabilidade. “Temos a responsabilidade de cuidar desde a alimentação dos animais até à ordenha”, explica. A empresa já implementa práticas de sustentabilidade, mesmo antes de serem exigidas por lei, porque o amor pela atividade é o que os move. “Fazemos o que de melhor sabemos fazer com o coração”, diz.
Além do bem-estar animal, Dina também reflete sobre a questão das embalagens. Desde pequena, ajudava a limpar os cinchos, mas a transição para embalagens de plástico trouxe desafios. “A indústria alimentar vai ter muita dificuldade em se libertar do plástico”, reconhece, mas está determinada a minimizar o impacto ambiental.
A sua trajetória não foi fácil, mas Dina sempre teve a convicção de que o sucesso viria com o tempo. A criação da nova fábrica em Lousa, que ela descreve como uma “loucura”, foi um passo decisivo. “Não sabíamos se ia correr bem, mas estávamos convictos de que sim”, recorda. Apesar das dificuldades, o crescimento da Montiqueijo continua a ser uma prioridade, com planos para novas expansões.
Dina Duarte conclui que, apesar dos desafios da gestão, o mais importante é manter a humildade e a paixão pelo que faz. “Correu muito bem. O meu pai nunca imaginou que chegaríamos onde estamos, mas conseguimos”, afirma com orgulho.
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Dina Duarte Dina Duarte Dina Duarte Nota: análise relacionada com Dina Duarte.
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Fonte: ECO





