O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu que a ofensiva militar conjunta com Israel contra o Irão poderá prolongar-se por até cinco semanas. Durante uma cerimónia na Casa Branca, Trump afirmou que, se necessário, enviará tropas para o terreno iraniano, uma decisão que poderá aumentar o número de baixas entre os soldados norte-americanos. “Estamos significativamente adiantados em relação ao calendário. Mas não importa quanto tempo leve, faremos o que for preciso”, garantiu Trump, sublinhando que os Estados Unidos têm “capacidade para ir muito além” do que foi inicialmente planeado.
O objetivo da coligação militar, conforme indicado pelo primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, é derrubar o regime teocrático do Irão. Trump também enfatizou que a “grande onda” da ofensiva militar “ainda não aconteceu” e que está “a chegar em breve”. O presidente justificou a ação ao afirmar que o regime iraniano, dotado de mísseis de longo alcance e armas nucleares, representa uma “ameaça intolerável” para o Médio Oriente e para os Estados Unidos.
A presença militar norte-americana em conflitos anteriores, como no Iraque e no Afeganistão, não atingiu os objetivos desejados. Contudo, o secretário da Defesa, Pete Hegseth, assegurou que os Estados Unidos não estão a embarcar em outro “atoleiro”, afirmando que não será necessário mobilizar um grande número de tropas para alcançar os objetivos estratégicos.
Entretanto, a resposta do Irão à ofensiva foi mais intensa do que em conflitos anteriores, com ataques a várias infraestruturas militares norte-americanas e israelitas em diversos países. Esta estratégia de dispersão dos ataques pode ser interpretada como uma tentativa do Irão de pressionar diplomaticamente os Estados Unidos e Israel a cessar as hostilidades.
No entanto, a economia dos EUA pode vir a sentir os efeitos desta situação. Com as eleições intercalares a aproximarem-se, os eleitores estão particularmente atentos ao estado da economia e à capacidade de consumo das famílias. A economia norte-americana, que já enfrentou diversos choques, agora enfrenta um novo desafio que poderá aumentar a incerteza económica. Os analistas estão preocupados com o aumento dos preços do petróleo, que subiram de 70 para valores próximos de 80 dólares, e com a diminuição do transporte nas rotas estratégicas do Estreito de Ormuz.
Embora os Estados Unidos estejam relativamente protegidos contra choques energéticos, o impacto global sobre o comércio e os investimentos poderá comprometer as perspetivas de crescimento que se desenhavam para este ano. Uma sondagem recente do Conference Board indicou que a confiança dos CEOs aumentou, mas quase 60% expressaram preocupações sobre o risco que as tensões geopolíticas representam para a economia.
O Banco Mundial descreveu recentemente as perspetivas económicas dos EUA como “otimistas”, mas este cenário pode ser afetado por um conflito imprevisível numa região produtora de petróleo. Além disso, a Reserva Federal, sob a liderança de Kevin Warsh, poderá enfrentar dificuldades se os preços subirem e a inflação voltar a aumentar. Embora o impacto inicial nos mercados tenha sido contido, a situação requer uma avaliação contínua, especialmente com a próxima reunião da Fed sobre taxas de juros.
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Fonte: Sapo





