Mercosul: Oportunidade de Negócio para Empresas Portuguesas

O recente acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul é visto como uma excelente oportunidade de negócio para as empresas portuguesas. Com a proteção de 36 Indicações Geográficas (IG) nacionais, espera-se que este acordo traga um aumento significativo nas receitas das exportadoras. Os produtos com IG têm um preço de venda que pode ser duas a três vezes superior ao dos bens comuns, o que representa um incentivo importante para o setor.

Atualmente, o comércio entre Portugal e os países do Mercosul, que incluem Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, atinge cerca de 8,5 mil milhões de euros. O Brasil, em particular, destaca-se como o principal destino das exportações portuguesas, devido à longa relação bilateral existente. Luís Miguel Ribeiro, presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP), sublinha que o acordo permitirá exportar para estes mercados a custos mais competitivos, criando novas oportunidades para as empresas.

O acordo, que foi finalizado recentemente pela Comissão Europeia, promete abrir um leque de oportunidades para as empresas nacionais, ajudando a reduzir a dependência de mercados como os EUA e a China. Armindo Monteiro, presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), destaca que este será o maior mercado de comércio livre do mundo, abrangendo mais de 700 milhões de consumidores. Isso é especialmente vantajoso para as pequenas e médias empresas (PME) portuguesas, que poderão beneficiar de uma vantagem competitiva num ambiente com tarifas elevadas e barreiras comerciais significativas.

Um dos principais objetivos do acordo é facilitar o acesso das exportações de produtos agroalimentares europeus ao Mercosul. Atualmente, esses produtos representam apenas 5% das vendas da União Europeia para a região, devido a tarifas que podem chegar a 55%. A eliminação ou redução dessas tarifas poderá impulsionar ainda mais as vendas de produtos portugueses, como o azeite, que já atingiu exportações superiores a 1.000 milhões de euros no ano passado.

Leia também  Georgieva do FMI pede a China para reduzir dependência das exportações

O Brasil é o principal mercado para o azeite português, absorvendo quase todas as exportações para o Mercosul. Mariana Matos, secretária-geral da Casa do Azeite, afirma que Portugal detém uma quota de mercado superior a 60% no Brasil, com a concorrência a vir de Espanha e Argentina. O acordo, portanto, não só protege as IGs, mas também promete um crescimento nas vendas de produtos emblemáticos como o Azeite de Moura e o Queijo Serra da Estrela.

Além disso, o acordo prevê a proteção de 344 produtos alimentares e bebidas europeias contra imitações nos países do Mercosul. Com a inclusão de 36 IGs portuguesas, o setor do vinho também se beneficia, especialmente considerando que o Brasil é um dos principais destinos das exportações de vinho nacional.

No entanto, o acordo não é apenas uma oportunidade para as exportações. A União Europeia também garantiu salvaguardas para proteger os produtores europeus em caso de perturbações no mercado. Isso inclui limites para a importação de produtos agroalimentares do Mercosul, assegurando que a produção europeia não seja afetada de forma negativa.

O setor metalomecânico, que é um dos mais exportadores da economia nacional, também vê o acordo como uma boa notícia. Rafael Campos Pereira, da AIMMAP, destaca que o Mercosul representa uma forma de reduzir a dependência da China em relação a matérias-primas críticas. Com o Brasil a figurar entre os principais destinos de exportação do setor, o acordo abre novas oportunidades para as empresas portuguesas.

Em suma, o acordo com o Mercosul é uma excelente oportunidade de negócio para as empresas portuguesas, oferecendo acesso a novos mercados e proteção para produtos de qualidade. A expectativa é que, com a implementação deste acordo, as exportações portuguesas para a região aumentem significativamente. Leia também: O impacto das Indicações Geográficas nas exportações portuguesas.

Leia também  Exportações de turismo em Portugal alcançam recorde em agosto

Leia também: Mota-Engil sobe 9% com construção de túnel submerso no Brasil

Fonte: ECO

Não percas as principais notícias e dicas de Poupança

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back To Top