Nos últimos três meses, os processos de imigração em Portugal, especialmente através da ‘via verde’, duplicaram. Esta informação foi avançada pelo presidente da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI), que destacou o crescente interesse das empresas em contratar imigrantes. Até ao início de março, a CPCI recebeu 211 pedidos de visto, abrangendo 1.427 trabalhadores para o setor da construção. Além desses, existem mais 259 processos em preparação, o que representa um aumento significativo em relação a novembro do ano passado.
Manuel Reis Campos, presidente da CPCI, sublinha que o fluxo de imigração começou de forma lenta, mas que agora as empresas demonstram um claro interesse em integrar novos trabalhadores. Este aumento nos pedidos reflete a necessidade do setor da construção, que enfrenta desafios de mão de obra.
Por outro lado, o Banco de Portugal está a investigar as atuais “taxas baixas” do crédito à habitação. A instituição está a interrogar os bancos sobre a forma como definem os preços dos empréstimos para a compra de casa. O objetivo é assegurar que as instituições financeiras estão a considerar fatores como o custo do capital e o risco associado ao cliente. Até agora, os inquéritos foram enviados a algumas das principais instituições, como o BCP e a CGD, mas ainda não chegaram a todos os bancos.
O crédito à habitação tem vindo a crescer a um ritmo acelerado, o mais elevado em duas décadas, o que levanta questões sobre a sustentabilidade deste crescimento. A supervisão do Banco de Portugal visa garantir que as práticas de concessão de crédito estão em conformidade com as orientações da Autoridade Bancária Europeia.
Além disso, o Governo português está a ponderar a necessidade de um orçamento retificativo, caso o impacto das despesas atinja cerca de 2.000 milhões de euros. As tempestades recentes e os efeitos do conflito no Irão estão a pressionar as contas públicas, embora o Governo tenha margens de segurança orçamentais. Para que um orçamento retificativo seja necessário, é preciso que se ultrapassem os tetos de despesa autorizados pelo Parlamento.
Por fim, a construção em Portugal enfrenta um desafio significativo, com mais de 40 mil casas projetadas a não serem construídas entre 2024 e 2025. Este número contrasta com os 18 mil fogos que ficaram por avançar nos dois anos anteriores. A diferença entre o número de fogos projetados e os licenciados é alarmante, com 36% dos projetos a ficarem suspensos, especialmente na Área Metropolitana de Lisboa.
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Fonte: ECO





