Desigualdade salarial e subemprego afetam mulheres em Portugal

Em Portugal, quase metade dos postos de trabalho é ocupada por mulheres, mas a desigualdade salarial e o subemprego continuam a ser uma realidade preocupante. De acordo com dados do CoLabor – Laboratório Colaborativo para o Trabalho, Emprego e Proteção Social, as mulheres ganham, em média, 14,6% menos do que os homens. Este cenário é ainda mais alarmante entre aquelas com formação superior, onde a diferença salarial sobe para 26,2%. Os dados foram divulgados em comemoração ao Dia Internacional da Mulher.

As desigualdades de género no mercado de trabalho são evidentes, especialmente na valorização das qualificações e no acesso a cargos de liderança. Apesar de as mulheres terem níveis de escolaridade superiores aos dos homens, isso não se traduz em igualdade de oportunidades. Em 2022, 32,6% das mulheres ativas tinham apenas o ensino secundário ou pós-secundário, enquanto 41,2% possuíam formação superior. No entanto, 28,4% das mulheres com ensino superior estão em situações de sobrequalificação, ou seja, ocupam funções que não exigem as suas competências. Esta taxa de sobrequalificação é inferior em oito pontos percentuais entre os homens.

No que diz respeito à progressão na carreira, as mulheres representam 65% da população subempregada e apenas 28,5% das direções executivas das empresas são ocupadas por mulheres. A situação é ainda mais crítica nas posições de liderança, onde apenas 13,3% dos cargos de CEO são desempenhados por mulheres. Apesar deste panorama, a lei das quotas tem mostrado resultados positivos, com a presença feminina nos conselhos de administração das empresas cotadas a aumentar de 13,5% em 2015 para 35,8% em 2023.

A segmentação do mercado de trabalho também é evidente, com a maioria das mulheres a trabalhar em setores como saúde e educação. A consultora de recursos humanos Randstad destaca que o talento feminino está concentrado em áreas como o apoio social (16,5%) e na educação (12,9%), enquanto os homens dominam setores mais tecnológicos, como a indústria (21,2%) e a construção (12,6%). Esta segregação revela que as barreiras e estereótipos ainda limitam a diversidade no mercado de trabalho.

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Além disso, as mulheres continuam a assumir a maior parte das responsabilidades domésticas. Entre os trabalhadores a tempo parcial, 62,9% são mulheres, sendo que a principal razão para esta escolha está relacionada com os cuidados a adultos ou crianças. Em contraste, os homens justificam o trabalho a tempo parcial maioritariamente por motivos de educação ou formação.

A desigualdade salarial e o subemprego são questões que exigem atenção e ação. É fundamental promover políticas que garantam igualdade de oportunidades e valorização das competências de todas as pessoas, independentemente do género. Leia também: O impacto da legislação nas desigualdades de género no trabalho.

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Fonte: ECO

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