A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reafirmou hoje o compromisso da União Europeia (UE) com o direito internacional, garantindo que este será sempre respeitado. A declaração surge na sequência de críticas recebidas após a sua afirmação de que a Europa “já não pode continuar a ser a guardiã da velha ordem mundial”.
Durante um discurso na sessão plenária do Parlamento Europeu em Estrasburgo, Von der Leyen sublinhou que a UE foi criada como um projeto de paz e que o respeito pelos princípios da Carta das Nações Unidas e pelo direito internacional é fundamental. “O nosso compromisso com a paz e com o direito internacional é tão central hoje como era no momento da nossa criação”, afirmou.
A polémica começou após a presidente ter feito uma intervenção na conferência anual dos embaixadores da UE em Bruxelas, onde disse que a Europa deve adaptar-se a um novo contexto global. Esta posição gerou descontentamento entre vários eurodeputados, incluindo aqueles dos grupos Socialistas e Democratas (S&D) e do Renew Europe, que tradicionalmente apoiam a sua Comissão.
No seu discurso, Von der Leyen também criticou o regime do Irão, afirmando que “não há motivos para derramar lágrimas por um regime assim”. Embora não tenha mencionado diretamente os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, destacou que o antigo líder supremo, Ali Khamenei, governou através da repressão e da violência.
“Ao longo das décadas, o regime iraniano silenciou a dissidência e esmagou as liberdades fundamentais”, disse Von der Leyen, recordando que, em janeiro, muitos jovens iranianos se manifestaram por um futuro melhor e foram brutalmente reprimidos. “Mais de 17 mil jovens foram mortos enquanto o regime se agarrava ao poder”, acrescentou.
A presidente da Comissão Europeia enfatizou que os crimes do regime iraniano são de longa data, incluindo a prisão e tortura de cidadãos, bem como o patrocínio de terrorismo na região do Médio Oriente. “Não se deve derramar lágrimas por um regime destes”, reiterou, destacando que muitos iranianos celebraram a queda de Khamenei e aspiram a um Irão livre, onde possam ter liberdade e dignidade.
Apesar das críticas, Von der Leyen assegurou que a visão da UE para o futuro não é diminuída pela realidade atual. “Ver o mundo tal como ele é não diminui, de forma alguma, a determinação da UE de lutar pelo mundo que ambiciona”, concluiu, reafirmando o compromisso da União Europeia com o direito internacional.
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Fonte: Sapo





