Governo propõe medidas para resolver heranças indivisas em Portugal

O problema das heranças indivisas em Portugal é uma realidade que afeta muitos cidadãos. Quando um familiar falece, os bens passam para os herdeiros, mas a falta de acordo entre eles pode levar a um impasse que dura anos. António Leitão Amaro, ministro da Presidência, revelou que existem cerca de 3,4 milhões de imóveis rústicos em heranças indivisas, representando um terço dos terrenos rústicos do país. Esta situação não só impede a utilização desses bens, como também aumenta o risco de incêndios florestais.

O cenário é igualmente preocupante nas cidades, onde se estima que 250 mil casas em boas condições estejam fechadas, sem serem vendidas ou arrendadas. A soma de imóveis que poderiam estar disponíveis para o mercado ultrapassa as 500 mil unidades. A legislação atual permite que um único herdeiro possa bloquear todo o processo de partilha, resultando em terrenos e casas que permanecem sem gestão durante décadas.

Para enfrentar esta situação, o Governo anunciou três medidas que visam dinamizar o mercado de arrendamento e resolver o problema das heranças indivisas. A primeira proposta pretende alargar os poderes de planeamento sucessório, permitindo que os proprietários organizem a distribuição dos seus bens antes de falecer. Com isso, espera-se reduzir os conflitos futuros entre herdeiros.

A segunda medida introduz a arbitragem sucessória, uma solução que permitirá resolver as heranças bloqueadas de forma mais rápida e menos formal do que os processos judiciais tradicionais. Esta abordagem já é utilizada em outras áreas do direito e visa descongestionar os tribunais.

Por fim, a terceira proposta é a mais direta em relação ao problema habitacional. O Governo quer criar um novo processo que permita a um único herdeiro forçar a venda de um imóvel indiviso, sem precisar do consentimento dos restantes. Se o desacordo persistir por dois anos após a aceitação da herança, o herdeiro poderá apresentar uma avaliação do imóvel e, caso os outros herdeiros não concordem, um juiz decidirá a forma de venda, que poderá incluir um leilão eletrónico. O valor da venda será distribuído entre todos os herdeiros, garantindo que ninguém fique de fora do processo.

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Estas medidas fazem parte de uma estratégia mais ampla para combater a crise da habitação e melhorar a gestão florestal em Portugal. O Governo pretende evitar que casas fiquem vazias e que os jovens tenham dificuldades em encontrar habitação. Além disso, a falta de gestão de terrenos rústicos contribui para a vulnerabilidade a incêndios, um problema que afeta o interior do país.

O executivo também anunciou alterações nas condições fiscais para incentivar o arrendamento, com um decreto-lei a ser formalmente aprovado em breve. A combinação de incentivos fiscais e mudanças legais visa colocar no mercado uma parte significativa dos imóveis atualmente parados.

Os detalhes das medidas serão, inicialmente, apresentados aos partidos políticos, antes de serem divulgados ao público. Resta saber se estas iniciativas conseguirão finalmente desbloquear um problema que tem um impacto significativo na sociedade e na economia do país.

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heranças indivisas heranças indivisas Nota: análise relacionada com heranças indivisas.

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Fonte: ECO

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