A energia é um pilar essencial para o funcionamento das economias modernas, transformando matérias-primas em bens e serviços que elevam o bem-estar das sociedades. No entanto, a guerra energética entre os Estados Unidos e a China, que começou durante a administração Trump, expôs a complexidade das relações entre estas duas potências.
O conflito, que inicialmente se centrava nas trocas comerciais, rapidamente se expandiu para o domínio tecnológico e, mais recentemente, para o setor energético. Com a China a desafiar cada vez mais a hegemonia americana, a administração Trump, no seu segundo mandato, intensificou a rivalidade, focando-se especialmente nos combustíveis fósseis, como o petróleo e o gás natural. Mas a disputa não se limita a estes hidrocarbonetos; inclui também o controle de recursos naturais estratégicos, como os metais industriais, que são cruciais na competição entre as grandes economias.
Neste contexto, o petróleo continua a ser um motor vital da economia global. Ao lado dos semicondutores, frequentemente referidos como o “novo petróleo do século XXI”, estes dois setores são fundamentais para a saúde económica mundial. Para limitar a capacidade da China de desafiar os EUA, Washington começou a intervir diretamente no mercado do petróleo venezuelano após a queda do regime de Maduro e, mais recentemente, voltou a focar-se no Irão, um dos principais fornecedores de petróleo da China.
A atual situação no Irão, marcada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, coloca os EUA numa posição vantajosa, uma vez que são autossuficientes em combustíveis fósseis. Por outro lado, a China enfrenta vulnerabilidades nas suas fontes de abastecimento energético, especialmente na Venezuela e no Médio Oriente, onde os riscos associados ao Estreito de Ormuz são significativos. Consciente desta fragilidade, a China tem investido na redução da sua dependência externa, apostando na eletrificação da sua economia e na expansão das energias renováveis. A produção de eletricidade no país tem sido diversificada, embora a dependência de hidrocarbonetos, como o petróleo e o gás natural, ainda seja elevada.
No mix energético da China, o gás natural e o petróleo representam cerca de 9% e 18%, respetivamente, mas na produção de eletricidade, essa contribuição é apenas de 3%, com o carvão, a energia nuclear e as renováveis a dominarem. A China possui algumas das maiores barragens do mundo, como a Three Gorges, que tem uma capacidade de 22,5 GW, muito superior à da barragem do Alqueva, e que poderia abastecer Portugal duas vezes.
Neste cenário geopolítico e energético, a Europa vê-se cada vez mais limitada. A sua elevada dependência de hidrocarbonetos e a sensibilidade da sua indústria face aos preços da energia fragilizam a economia. Com o aumento dos custos de produção, as margens das empresas diminuem e a competitividade é ameaçada, gerando temores de um cenário de estagflação, que combina estagnação económica e inflação elevada. A Europa, entre os EUA, a Rússia e a China, tem dificuldade em afirmar-se como um ator independente, tornando-se um “price taker” nos mercados de energia, obrigada a aceitar os preços internacionais sem conseguir influenciá-los.
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Fonte: Sapo





