Apenas 13% dos portugueses dominam literacia financeira básica

Um recente estudo do Banco de Portugal revela que apenas 13% da população portuguesa possui conhecimentos financeiros básicos. Este dado alarmante foi apresentado no Boletim Económico de março, que analisa a literacia financeira em Portugal. Embora os níveis de literacia financeira sejam semelhantes à média da zona euro, as fragilidades são evidentes, especialmente no que diz respeito ao cálculo de juros e à compreensão do risco e da diversificação.

O Banco de Portugal baseou-se em dados de duas fontes: o 4.º Inquérito à Literacia Financeira da População Portuguesa e o módulo do PISA 2022, que avaliou a literacia financeira de estudantes de 15 anos. O inquérito revelou que apenas 13% dos inquiridos conseguiram responder corretamente a questões fundamentais sobre finanças. A dificuldade maior está no cálculo de juros, onde apenas 40% dos participantes acertaram o saldo final de um depósito de 100 euros a 2% ao ano.

Além disso, mais de metade dos portugueses não compreende que a diversificação pode reduzir o risco em investimentos. O indicador global de literacia financeira em Portugal é de 63,4%, um valor próximo da média da zona euro, que é de 63,6%. No entanto, a Alemanha lidera com 76%, enquanto a Itália apresenta os piores resultados, com 53,3%.

Outro ponto preocupante é que apenas 54,8% dos adultos em Portugal pouparam no ano anterior. Entre aqueles que pouparam, quase 60% mantiveram o dinheiro em contas à ordem ou em numerário, o que significa que não obtiveram qualquer retorno. Apenas 33,1% optaram por produtos financeiros mais rentáveis, como depósitos a prazo ou obrigações.

As desigualdades na literacia financeira são também notórias. Os homens apresentam uma taxa de conhecimentos financeiros de 64,9%, enquanto as mulheres ficam-se pelos 56,8%. Além disso, os jovens e os idosos são os que apresentam os piores resultados. Por outro lado, indivíduos com ensino superior ou rendimentos elevados superam em mais de 30 pontos percentuais aqueles que não completaram o secundário.

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O módulo de literacia financeira do PISA 2022, que avaliou 4.075 alunos de 15 anos, mostra que os jovens portugueses estão cada vez mais integrados na economia digital. Contudo, apenas 6,6% dos alunos alcançaram um desempenho de topo, enquanto cerca de 15,5% não atingem competências básicas. Curiosamente, muitos destes alunos acreditam saber gerir o dinheiro, o que pode levar a decisões financeiras erradas.

O Banco de Portugal sublinha a urgência de promover a educação financeira, especialmente entre os grupos mais vulneráveis, para evitar a perpetuação de desigualdades económicas. A literacia financeira é essencial para incentivar a poupança e prevenir o endividamento excessivo. Embora existam estratégias nacionais em curso, o estudo aponta para a necessidade de uma avaliação contínua e de uma integração mais forte da literacia financeira nos currículos escolares.

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Fonte: Sapo

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