O governo alemão manifestou hoje a sua oposição à oferta pública de aquisição (OPA) da UniCredit, um banco italiano, sobre o Commerzbank, um dos principais bancos da Alemanha. O Estado alemão ainda detém 12% do capital do Commerzbank e considera que uma aquisição hostil seria “inaceitável”. Maximilian Kall, porta-voz do Ministério das Finanças, sublinhou que a posição do governo permanece inalterada e que apoia a estratégia de independência do Commerzbank.
A UniCredit anunciou a intenção de apresentar uma OPA voluntária, que envolveria uma troca de ações, com o objetivo de aumentar a sua participação no Commerzbank para além dos 30%. No entanto, Kall esclareceu que, até ao momento, não foi recebida uma oferta formal, uma vez que a UniCredit controla atualmente 29,9% do banco alemão.
O porta-voz do governo destacou que, caso a UniCredit avance com uma proposta formal, será responsabilidade do Conselho de Administração e do Conselho de Supervisão do Commerzbank analisar a oferta e recomendar aos acionistas. Kall enfatizou que o governo não atua como autoridade supervisora, sendo essa função atribuída ao Banco Central Europeu (BCE), que opera de forma independente nas suas avaliações.
Se a UniCredit decidir ultrapassar o limite de 30% de participação, a análise será feita de maneira independente pelo Escritório Federal de Cartéis (Bundeskartellamt), que também atua autonomamente. Kall reiterou que, do ponto de vista do governo, uma aquisição hostil não é aceitável.
Quando questionado sobre a contradição entre a oposição a esta aquisição e os esforços para promover uma União dos Mercados de Capitais na Europa, Kall afirmou que não existe uma relação direta entre as duas questões. O governo acredita que o Commerzbank está a ter sucesso com a sua estratégia de independência e que cada situação deve ser analisada individualmente.
A prioridade do ministro das Finanças, Lars Klingbeil, é impulsionar a integração dos mercados financeiros na Europa, mas isso não deve ser confundido com tentativas de aquisição hostil do Commerzbank. O governo alemão mantém, assim, uma postura firme em defesa da autonomia do banco, enquanto observa os desenvolvimentos no setor financeiro europeu.
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Fonte: Sapo





