Produção de ouro em Moçambique cai 17% devido a restrições ambientais

A produção de ouro em Moçambique registou uma queda significativa de 17% em 2025, totalizando 1,349 toneladas. Este resultado ficou aquém das metas estabelecidas, principalmente devido à suspensão das atividades de extração na província de Manica, motivada por preocupações ambientais. Os dados foram divulgados esta terça-feira e revelam que a produção de ouro em Moçambique não atingiu nem 82% do objetivo fixado para o ano anterior, após um período de crescimentos constantes que culminou num recorde de 1,641 toneladas em 2024.

A paragem das operações em Manica, uma das regiões mais produtivas do país em termos de mineração artesanal de pequena escala, foi um dos principais fatores para esta diminuição. A produção de 2025 retrocedeu aos níveis de 2022, quando foram extraídas 1,263 toneladas de ouro.

Para 2026, o Governo de Moçambique tinha projetado uma produção superior a 1,723 toneladas, o que, se concretizado, representaria um novo recorde. Esta expectativa baseia-se no desempenho positivo das duas principais empresas do setor e no investimento na melhoria da capacidade produtiva.

No entanto, a situação atual é preocupante. O Governo moçambicano decidiu suspender, a partir de 30 de setembro, todas as licenças de mineração na província de Manica. Além disso, foi criada uma comissão interministerial com o objetivo de rever o regime de licenciamento, aumentar a fiscalização e implementar medidas de recuperação ambiental. O porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, destacou que a suspensão abrange tanto operadores licenciados quanto aqueles que atuam de forma irregular, visando estancar a degradação ambiental e promover uma operação sustentável.

O Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, alertou para o “desastre ambiental” causado pela mineração na província, após um relatório das Forças de Defesa e Segurança (FDS) que revelou uma situação alarmante. A comissão interministerial identificou uma “mineração descontrolada” por parte de operadores licenciados, que não estão a cumprir com planos de recuperação ambiental e que ignoram normas de segurança e direitos laborais.

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Além disso, a situação é agravada pela presença de grupos estrangeiros envolvidos em atividades de garimpo ilegal, que operam por rotas informais e alimentam redes paralelas de comércio de ouro, extorsão e insegurança pública. O executivo classificou a situação ambiental em Manica como crítica, com rios a apresentarem “grave poluição”, resultante do despejo de resíduos sem tratamento.

Com a criação da comissão interministerial, que envolve vários ministérios, o Governo espera implementar uma abordagem mais rigorosa para a mineração em Moçambique, focando na sustentabilidade e na proteção ambiental. Leia também: O impacto da mineração na economia moçambicana.

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Fonte: Sapo

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