Investimentos em Sines fazem disparar preços das casas

A cidade portuária de Sines está a passar por uma transformação significativa, impulsionada por um conjunto de investimentos que promete alterar a dinâmica da habitação local. Com um pipeline de 30 projetos e um investimento total de 25 mil milhões de euros, a cidade prevê a criação de 4.577 postos de trabalho diretos e 6.903 temporários até 2031, segundo a Aicep Global Parques. Este cenário de crescimento económico está a provocar uma pressão sem precedentes sobre o mercado imobiliário, fazendo com que os preços das casas em Sines disparem.

Álvaro Beijinha, presidente da Câmara Municipal de Sines, destaca que “Sines está a ter os maiores investimentos privados do país”, o que está a atrair um número crescente de trabalhadores para a região. No entanto, a oferta de habitação não está a acompanhar a procura, resultando numa duplicação do preço do metro quadrado nos últimos três anos. “Os preços das casas têm subido de forma galopante”, afirma Beijinha.

A cidade, que abriga a maior plataforma industrial do país e representa mais de 50% da carga marítima, enfrenta agora o desafio de adaptar o seu planeamento urbanístico a esta nova realidade. O autarca já fez apelos ao Governo para discutir soluções que garantam a construção de habitação adequada para os novos residentes, mas ainda não obteve resposta. “A câmara tem uma forma de funcionamento bastante pesada e regras urbanísticas muito limitativas”, lamenta.

Os investimentos em Sines estão a ser liderados por grandes empresas internacionais, como a Repsol e a Calb, que estão a injetar milhares de milhões na expansão das suas operações. Beijinha sugere que parte dos benefícios fiscais concedidos a estas empresas poderia ser redirecionada para apoiar a construção de habitação. “As empresas deveriam ter a obrigação de garantir habitação para os seus trabalhadores”, defende.

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Atualmente, Sines tem cerca de 14 mil habitantes, além de seis mil trabalhadores que se deslocam diariamente para a cidade. Os salários médios na região são elevados, situando-se em 2.180 euros, mas os preços das casas estão a tornar-se insustentáveis. “Estamos a falar de rendas que se equiparam a Lisboa e Porto, com valores a partir de dois mil euros para um T2”, alerta o autarca.

A situação não se limita a Sines, afetando também os municípios vizinhos, como Grândola e Santiago do Cacém, onde as rendas também estão a subir. A Câmara Municipal de Sines está “extremamente preocupada” com o futuro, uma vez que se prevê a criação de mais sete mil postos de trabalho até ao final da década, o que exigirá a construção de pelo menos dois mil novos fogos. “Não temos condições financeiras para construir habitação em massa”, conclui Beijinha.

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Fonte: Sapo

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