A atividade económica em Portugal sofreu um decréscimo significativo no primeiro trimestre de 2026, conforme anunciou Álvaro Santos Pereira, governador do Banco de Portugal, durante uma conferência em Leiria. Este decréscimo é atribuído aos impactos devastadores da tempestade Kristin, que afetou gravemente a economia do país, tornando-se um dos eventos mais prejudiciais para o Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos anos.
Santos Pereira destacou que, em comparação com crises anteriores, como os incêndios de 2017, a tempestade deste ano teve um impacto ainda mais severo. O governador revelou que o boletim económico, a ser divulgado na próxima quarta-feira, confirmará o decréscimo da atividade económica, que se traduziu em perdas consideráveis para empresas e famílias.
Os dados apresentados indicam que as tempestades de janeiro e fevereiro causaram danos económicos significativos, aumentando o risco de crédito no setor bancário. Nos 68 municípios mais afetados, que estão sob estado de calamidade, concentra-se uma parte substancial do crédito de empresas e habitação. Estes concelhos representam 19,3% do crédito empresarial, totalizando cerca de 28 mil milhões de euros, e 18,7% do crédito à habitação, que soma 20,8 mil milhões de euros.
As consequências para as empresas são alarmantes, com a destruição de ativos físicos e disrupções nas cadeias de valor. Para as famílias, os impactos incluem a destruição de património e uma diminuição do rendimento. A indústria, o comércio e a construção são os setores mais afetados, com a indústria a concentrar 32% dos empréstimos bancários na área afetada, enquanto o comércio e a construção têm 22% e 13%, respetivamente.
O governador do Banco de Portugal também mencionou que, no dia em que a tempestade atingiu o continente, houve uma queda de 60% nos levantamentos bancários em Leiria, com algumas localidades a registarem perdas ainda mais acentuadas. A recuperação, embora visível em algumas áreas, ainda não é suficiente para compensar as perdas.
No que diz respeito ao futuro, o Banco de Portugal prevê um aumento da inflação, especialmente nos preços dos alimentos, devido à perda de colheitas. Além disso, a possibilidade de algumas empresas não voltarem a operar poderá resultar numa perda de capacidade produtiva. Contudo, há uma perspetiva positiva, com a modernização de equipamentos e investimentos em prevenção e resiliência.
Em suma, o decréscimo da atividade económica no primeiro trimestre de 2026 reflete os desafios que o país enfrenta após a tempestade Kristin. A recuperação total permanece incerta, mas é crucial que as autoridades e o setor privado colaborem para mitigar os impactos e promover a resiliência económica.
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Fonte: ECO





