Portugal enfrenta custos elevados com cheias e falta de preparação

Em Portugal, a ocorrência de cheias tem-se tornado uma realidade cada vez mais frequente, com episódios de precipitação intensa a causar estragos significativos. As ruas inundadas, a interrupção da atividade económica e os danos em habitações e serviços públicos são agora um cenário comum. O debate em torno deste fenómeno frequentemente se centra na sua excecionalidade, mas a verdade é que estes eventos já deixaram de ser raros. Portugal encontra-se estruturalmente mal preparado para lidar com as cheias em Portugal.

Entre 2010 e 2025, o número de dias com precipitação extrema, ou seja, com mais de 30 mm de chuva em 24 horas, duplicou. Este aumento tem implicações diretas nas indemnizações pagas devido a cheias urbanas, que ultrapassaram os 50 milhões de euros em 2024, com uma taxa de crescimento anual média de 5%. As cheias em Portugal não se limitam apenas a zonas ribeirinhas; mesmo uma curta duração de chuva intensa pode provocar impactos económicos significativos, desde danos em edifícios a perdas de produtividade.

O problema não reside apenas na intensidade da precipitação, mas também na forma como o território e as infraestruturas foram concebidos. Muitas das construções existentes utilizam sistemas de impermeabilização de baixa qualidade, inadequados para as condições climáticas atuais. Coberturas, parques subterrâneos e infraestruturas enterradas tornaram-se pontos críticos de falha. A infiltração de água resulta em degradação estrutural, corrosão e necessidade de reparações frequentes, transformando o risco técnico em ineficiência económica.

Ainda persiste a ideia de que a impermeabilização é um custo a evitar. No entanto, a experiência mostra que a prevenção é mais eficaz do que a reparação. As intervenções de emergência e as indemnizações são encargos recorrentes e crescentes que poderiam ser evitados com um investimento em soluções duráveis. É um ato de gestão responsável, tanto a nível público como privado, investir em infraestruturas que resistam a cheias em Portugal.

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O modelo urbano português, por sua vez, continua a priorizar a impermeabilização do solo, o que resulta em picos de caudal e sobrecarga dos sistemas de drenagem. Existem, no entanto, soluções técnicas eficazes, como coberturas verdes, pavimentos permeáveis e sistemas de retenção de água. Estas abordagens têm sido adotadas em várias cidades europeias, que reconhecem que a resiliência urbana é também uma questão económica. Cidades bem preparadas conseguem reduzir perdas e aumentar a durabilidade dos seus ativos.

A adaptação às alterações climáticas exige um planeamento a médio e longo prazo, revisão de regulamentos e uma visão integrada do ciclo de vida das infraestruturas. Ignorar esta realidade significa aceitar custos futuros mais elevados e um padrão de falha repetido. A questão não é se as cheias em Portugal vão continuar a ocorrer, mas se o país vai optar por reagir aos prejuízos ou construir uma economia verdadeiramente resiliente. A engenharia e o planeamento urbano devem liderar esta transição.

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cheias em Portugal Nota: análise relacionada com cheias em Portugal.

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Fonte: Sapo

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