Os seguros de saúde nos Estados Unidos vão sofrer, em 2026, o maior aumento de preços dos últimos 15 anos. Segundo dados do Financial Times, o aumento médio dos planos oferecidos pelas empresas será de cerca de 6,5%. Para os planos adquiridos individualmente através das bolsas públicas, a situação é ainda mais grave, com uma escalada prevista de 18%, mais do dobro do aumento registado no ano anterior, conforme reportado pela ONG KFF.
Este aumento acentuado dos seguros de saúde agrava a pressão sobre as famílias norte-americanas, que já enfrentam um contexto de forte encarecimento do custo de vida. O jornal britânico destaca que os preços de serviços essenciais continuam a subir, com fornecedores de energia e outros serviços a solicitarem aumentos tarifários que totalizam 29 mil milhões de dólares, um crescimento de 142% em relação ao ano anterior. Esta combinação de fatores levanta sérias preocupações sobre a capacidade de pagamento das famílias.
Entre as seguradoras, a UnitedHealth aponta as tarifas resultantes das guerras comerciais iniciadas pelo ex-presidente Donald Trump como uma das razões para justificar parte dos aumentos nos seguros de saúde. Em estados como Maryland e Oregon, os prémios vão aumentar até 2,7% devido a estes fatores, enquanto no Ohio foi adicionada uma margem de risco suplementar de 0,5%.
O debate político em torno dos seguros de saúde também está a intensificar-se. A governadora do Arkansas, Sarah Huckabee Sanders, criticou a seguradora Centene, acusando-a de tentar impor aumentos “inaceitáveis” que podem chegar a 54%. Sanders apelou ao regulador estadual para rejeitar tais propostas, enfatizando que as famílias já não conseguem suportar mais aumentos nas despesas com saúde.
Outro ponto crítico é o fim, previsto para o final de 2025, dos benefícios fiscais que subsidiam os seguros do Affordable Care Act (ACA), conhecido como “Obamacare”. As seguradoras estão preocupadas com a possibilidade de perder clientes jovens e saudáveis, o que poderia resultar numa carteira de maior risco e custos acrescidos. Esta situação poderá desencadear novos aumentos de preços nos seguros de saúde nos próximos anos.
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Fonte: ECO





