Orçamento do Estado 2026: Medidas em falta para os contribuintes

O Governo apresentou, na passada quinta-feira, a proposta do Orçamento do Estado para 2026 (OE2026), mas várias questões importantes para os contribuintes foram deixadas de fora. Entre os temas em destaque estão o imposto sobre combustíveis, o aumento do salário mínimo, a privatização da TAP e um novo programa para a habitação. Muitas destas medidas estão previstas para serem abordadas a médio prazo, o que gera incertezas.

No que diz respeito ao imposto sobre os produtos petrolíferos e energéticos, o OE2026 não prevê qualquer aumento, apesar da pressão da Comissão Europeia para eliminar o desconto existente. O Governo estima que as receitas com o Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP) possam aumentar em 187 milhões de euros, totalizando 4.254 milhões de euros, impulsionadas pelo consumo privado. O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, afirmou que o Executivo está a trabalhar numa solução que não encareça os preços da gasolina e do gasóleo, mas que não está contabilizada neste orçamento.

Relativamente à privatização da TAP, o Governo optou por não incluir uma estimativa de receitas devido às negociações em curso para a venda da companhia aérea. Esta decisão visa proteger a posição negocial do Estado. Joaquim Miranda Sarmento sublinhou que qualquer valor estimado poderia influenciar as negociações, pelo que não foi incluído no OE2026.

Outro ponto importante é o aumento do salário mínimo. O ministro das Finanças não se comprometeu com a proposta de elevar o salário mínimo para 920 euros em 2026, conforme acordado em concertação social. No entanto, o relatório do OE2026 menciona que o Governo pretende continuar a trajetória de aumento dos salários, prevendo um aumento de 50 euros mensais até aos 1.100 euros no final da legislatura.

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Além disso, as medidas fiscais do programa “Construir Portugal”, que visam abordar a crise da habitação, também não estão contabilizadas no OE2026, uma vez que o seu impacto se fará sentir apenas a partir de 2027. O Governo aprovou um pacote de medidas que inclui benefícios fiscais para inquilinos e proprietários, mas a falta de detalhes sobre as propostas legislativas gera incertezas.

A atribuição de um suplemento extraordinário para pensionistas em 2026 também não está garantida. O OE2026 não inclui verbas para este bónus, embora tenha oficializado a subida do valor de referência do complemento solidário para idosos. A despesa com pensões deverá aumentar 5,2%, totalizando cerca de 26 mil milhões de euros.

Por fim, a proposta de redução do IRC de 20% para 19% em 2026, já aprovada no Parlamento, não está refletida no OE2026. O Governo espera uma diminuição nas receitas de IRC devido a esta redução, o que poderá impactar a liquidação do imposto em 2026.

Em suma, o Orçamento do Estado para 2026 deixa de fora várias medidas cruciais, gerando incertezas para os contribuintes. Leia também: O impacto do Orçamento do Estado na economia nacional.

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Fonte: ECO

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