Florestas em destaque na COP30: desafios e oportunidades

As florestas ocupam um lugar central na agenda da COP30, que decorre em Belém, uma cidade próxima da floresta amazónica. Este evento, que reúne líderes e especialistas, destaca a importância das florestas como sumidouros de carbono e reguladores climáticos. Angela Lucas, sócia da Systemic e cofundadora do fundo florestal Land, sublinha que as florestas são fundamentais para o combate às alterações climáticas e para a preservação da biodiversidade.

A desflorestação, que tem ocorrido nas últimas décadas, é um dos principais desafios que a comunidade internacional enfrenta. Angela Lucas defende que é crucial encontrar mecanismos de mercado que permitam captar financiamento para a conservação e expansão das áreas florestais. A necessidade de preservar as florestas é particularmente urgente em países tropicais, como o Brasil, enquanto na Europa a prioridade é restaurar as florestas que ainda restam.

Lucas menciona várias políticas europeias que visam a proteção das florestas, como a lei de restauro da natureza e a estratégia da biodiversidade. No entanto, alerta que estas iniciativas ainda carecem de implementação concreta. “São sinais positivos, mas é necessário avançar”, afirma.

Um dos obstáculos à valorização das florestas é a falta de reconhecimento do seu valor económico. Angela Lucas destaca que a equação económica tradicional não considera o capital natural, que é essencial para a riqueza do planeta. Além disso, a crescente aposta em energias renováveis levanta questões sobre o uso do território. “É necessário um planeamento criterioso para evitar conflitos de uso”, alerta.

A valorização das florestas também passa pela discussão dos mercados de carbono, um tema que deverá ser aprofundado na COP30. Angela Lucas defende que é fundamental estabelecer regras claras e transparentes para o reconhecimento dos créditos de carbono. Após uma investigação do The Guardian em 2023, que questionou a eficácia destes mercados, as empresas foram incentivadas a abordar a questão com mais seriedade.

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“Temos de garantir que a medição e monitorização dos créditos de carbono são feitas de forma rigorosa e científica”, afirma Lucas. O avanço nos mercados de carbono pode abrir portas para outros mecanismos que ajudem a valorizar a natureza e a promover a sua gestão sustentável. “No final do dia, isto tem de fazer sentido do ponto de vista económico, senão não vai acontecer”, conclui.

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Fonte: ECO

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